sábado, julho 5

Ecos da Ditadura - I

Quando Dr. Ovídio foi numa festa de inauguração de um belíssimo curso mobral no começo de 70 ele só fez chorar. Chorava e dizia: quem é que quer a democracia? Ninguém! Mas até que uma povocraciazinha não fazia mal.

v.w.

sexta-feira, junho 27

PODCAST aqui em cima!

Gente,

Comecei a fazer podcasts novamente. Participei de podcasts na época que ninguém sabia do que isso era. Agora estou voltando mas não conheço muito bem os equipmentos que estou usando ainda. O programa do mac é bem diferente do windows, então a captação não ficou das melhores. Nada como alguns testes.

Ouçam e comentem se realmente ficou muito baixo e algumas horas o som ficou meio alto.

Podcast Entre Aspas está de volta!

vinicius

ACORDANOITE

Acorda.
Anoiteceu.
A noite morre de desejos de ter seu próprio cavaleiro andante.
A noite corre aos gritos moucos atrás dos loucos que vão adiante.
Atenção, é importante: a cor da noite - anoiteceu.


v.w.

segunda-feira, abril 7

Nem se eu tivesse

Sabe como é se sentir em dívida, né? Aquela sensação de que tem algo que você deveria fazer, mas por causa do descentramento da identidade no sujeito pós-moderno – ou por qualquer desculpa culta que eu possa imaginar -, você adia ad nauseum um compromisso, por algum motivo que é alheio à lógica do coração... Sabe?

Pois é, está na hora de fazer uma coisa que há muito precisava. Não é dizer obrigado, pois algo me diz que não se agradece essas coisas, algo me diz que isso deveria ficar subreptício, num entre-lugar, no interdito.

Não vou agradecer, não. Mas vou demonstrar a importância, para mim e para todos, de uma amizade que começou nos pródomos da própria vida (quis dizer que ela começou junto com a vida) e não termina, pois está além da vida.

Nan (oficialmente Renan Ishi) é um irmãozinho que mora longe. Tenho essa mania de conseguir fazer irmãos em tantos diferentes e imprevisíveis lugares! Isso me trás coisas boas, mas me trás muita saudade! Saudade de dar um abraço que nunca dei, por exemplo. Isso é tão estranho quanto sentir-se dolorido ao acordar, após uma longa partida de video-game na noite anterior. Sim. Mas não é estranho hoje em dia, pois existe o Nintendo Wii (pesquisem, se necessário)! E também não é estranho sentir saudade de um irmão que nunca vi, pois existe internet! E porque amizade e distância não tem qualquer relação além de saudade.

Tem uma música linda que tem um trecho a seguir, e que dedico hoje pro nan:

Nem se eu tivesse todo o ouro, e não tivesse um amigo nada teria.
Mas quando eu começasse a me sentir sozinho
Quem é que me consolaria?
Mas deus é bom botou você em meu caminho
Pra que não falte a alegria.


Irmão, você está longe, mas me ajuda muito mais do que muita gente que vejo diariamente. Detenho um obrigado nessa frase, que está doido pra ser escrito. Só queria escrever esse texto para que você soubesse o quanto te admiro e gosto de você. Conte comigo para qualquer coisa, qualquer dificuldade, qualquer luta, vitória ou ocasionais e esparsas derrotas. Você é um irmão de primeira! Bora jogar Wii qualquer dia... Mas cuidado, sou o Rei do Wii. =P

domingo, março 9

Cartas de um Náufrago

A trilogia está pronta. Os três poemas tem as respectivas gravações. Uma dica minha: gravações de poema sempre ajudam a gostar dele. Acho que chegou a hora de dizer: isso não é mais meu. E é isso que faço agora....

Epígrafe: Lua


I

ÁUDIO


Eu te amo como um náufrago, como o próprio oceano infinito, eu te amo como uma criança perdida, como uma cidade em ruínas. Eu te amo com a impermanência de um cometa, com a presteza de um sorriso. Te amo como um pássaro que mergulha num jardim desconhecido, como um vento que não sabe aonde vai, como uma palavra perdida na eternidade. Te amo como um suspiro que não termina, como um olhar no intervalo de um abraço, como um silêncio suspenso entre duas almas. Te amo com medo de sofrer, com as lágrimas desse medo represadas na alma, com a incerteza do futuro pendendo na ponta de um momento.

Vinícius Werneck
24.08.07



II

ÁUDIO


Não há mais naufrágio, não há oceano. Não há criança nem ruínas. Passou o cometa. Não há sorriso nem pássaro nem jardim nem vento. Não há palavra ou eternidade. Terminou o suspiro e o abraço. O silêncio matou o olhar. Não há mais lágrimas. Não há mais alma. E eu ainda te amo.

Vinícius Werneck
Jackson, Wy/EUA - Janeiro/08



III

ÁUDIO




Porque meu olhar de criança resta em sua memória, e lá apenas, como pedra que se perde no fundo de um lago, que se perde no bosque, que se perde, que se perde...

Porque teu sorriso é pesado fardo e tua voz me persegue como eco na solidão da minha alma, tendo tanto por esquecer, foi aí que acabei por esquecer a mim mesmo... em um canto escuro, em uma esquina, em um lugar qualquer no caminho que se estende entre nós dois.

(Lembra dos luares, lembra da escuridão?
Lembra de sentir medo e de tremer de frio?
Lembra dos sorrisos, lembra da canção?)

Porque teu lembrar é uma via a qual devo percorrer, procuro sufocado um caminho a esquerda, um abrigo, uma guarida qualquer para poder morrer de amor e renascer...

Vinícius Werneck
Jackson, Wy/USA - Fevereiro/08