Epígrafe: Lua
I
ÁUDIO
Eu te amo como um náufrago, como o próprio oceano infinito, eu te amo como uma criança perdida, como uma cidade em ruínas. Eu te amo com a impermanência de um cometa, com a presteza de um sorriso. Te amo como um pássaro que mergulha num jardim desconhecido, como um vento que não sabe aonde vai, como uma palavra perdida na eternidade. Te amo como um suspiro que não termina, como um olhar no intervalo de um abraço, como um silêncio suspenso entre duas almas. Te amo com medo de sofrer, com as lágrimas desse medo represadas na alma, com a incerteza do futuro pendendo na ponta de um momento.
Vinícius Werneck
24.08.07
II
ÁUDIO
Não há mais naufrágio, não há oceano. Não há criança nem ruínas. Passou o cometa. Não há sorriso nem pássaro nem jardim nem vento. Não há palavra ou eternidade. Terminou o suspiro e o abraço. O silêncio matou o olhar. Não há mais lágrimas. Não há mais alma. E eu ainda te amo.
Vinícius Werneck
Jackson, Wy/EUA - Janeiro/08
III
ÁUDIO
Porque meu olhar de criança resta em sua memória, e lá apenas, como pedra que se perde no fundo de um lago, que se perde no bosque, que se perde, que se perde...
Porque teu sorriso é pesado fardo e tua voz me persegue como eco na solidão da minha alma, tendo tanto por esquecer, foi aí que acabei por esquecer a mim mesmo... em um canto escuro, em uma esquina, em um lugar qualquer no caminho que se estende entre nós dois.
(Lembra dos luares, lembra da escuridão?
Lembra de sentir medo e de tremer de frio?
Lembra dos sorrisos, lembra da canção?)
Porque teu lembrar é uma via a qual devo percorrer, procuro sufocado um caminho a esquerda, um abrigo, uma guarida qualquer para poder morrer de amor e renascer...
Vinícius Werneck
Jackson, Wy/USA - Fevereiro/08