sábado, junho 19

Pois é, amigo, como se dizia antigamente, o buraco é mais embaixo

Tenho inveja das crianças, na sua inocência e ingenuidade, que, de um modo geral, graças a Deus não sabem sobre as reuniões mensais do COPOM nem sobre as decepções com a Política, que não conhecem a hipocrisia dos que mandam, nem a subserviência inconsciente dos que obedecem, que não precisam se preocupar com as novas estratégias de propaganda eleitoral que tentam te convencer de que o Maluf deve ser canonizado...
Ah, que inveja, que inveja dos animais que não sofrem por antecipação, que não plantam nem colhem, que não armazenam, não criam estoques... Tenho inveja da falta absoluta de teorias sobre as coisas práticas, e da ausência de Ações, Royaltes, Joint ventures e "Public Relations".
Queria poder acordar sem saber sobre os processos produtivos, nem sobre a mais valia absoluta ou relativa, muito menos sobre a indústria cultural, tampouco acerca dos falsos cognatos do francês.

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Esse meu texto acima foi apenas pra falar um pouco de mal dessa sociedade, afinal, assim parece que todos esses problemas não são nossos, eles parecem ficar mais distantes. Só parece. Cada um já nasce com sua cota de responsabilidade.
Ah, e segue uma música pra ilustrar - e fazer pensar sobre - nossa sociedade atual:

Testamento
Toquinho - Vinícius de Moraes

Você que só ganha pra juntar,
O que é que há, diz pra mim o que é que há.
Você vai ver um dia em que fria você vai entrar.
Por cima uma laje, embaixo a escuridão,
É fogo, irmão; é fogo, irmão.

(Falado:)
<< Pois é, amigo, como se dizia antigamente, o buraco é mais embaixo. E você com todo o seu
baú, vai ficar por lá na mais completa e total solidão pensando à beça que não levou nada,
nadinha do que você juntou. Só o seu terno de cerimônia! Que fossa, hein meu chapa, que fossa!>>

Você que só faz usufruir
E tem mulher pra usar ou pra exibir.
Você vai ver um dia em que toca você foi bulir.
A mulher foi feita pro amor e pro perdão,
Cai nessa, não; cai nessa, não.

(Falado :)
<< Pois é, amigo, você que está aí com a boneca do lado, linda e chiquérrima, crente que é o amo e senhor do
material, e é aí que o distinto está muitíssimo enganado. No mais das vezes ela anda longe, perdida num
mundo lírico e confuso, cheio de aventura e magia. E você nem sequer toca sua alma... É, as mulheres são muito estranhas, muito estranhas... >>

Você que não pára pra pensar
Que o tempo é curto e não pára de passar.
Você vai ver um dia que remorso, como é bom parar.
Ver o sol de pôr ou ver o sol raiar,
E desligar; e desligar.

(Falado:)
<< Mas você, que esperança! Bolsa, títulos, capital de giro, public relations, e tome gravata!
Protocolos, comendas, caviar, champagne e tome gravata! O amor sem paixão, o corpo sem
alma, o pensamento sem espírito e tome gravata! E lá, um belo dia, o infarto, ou, pior ainda, o psiquiatra! >>

Você que não gosta de gostar
Pra não sofrer, não sorrir e não chorar.
Você vai ver um dia em que fria você vai entrar.
Por cima uma laje, embaixo a escuridão,
É fogo, irmão; é fogo, irmão.

terça-feira, junho 15

"Artigo Enésimo - declaro proibidos os sentimentos"

[ressuscitando post: 18 de fevereiro de 2004]

A sociedade tem aversão ao sentir. Quando é inevitável, impensável se torna sua reverberação. Censuramos nosso coração, como se tivéssemos medo. Medo do que? Medo de sofrer? Medo de nos tornarmos vulneráveis? Medo de viver?

O amor é considerado como algo impossível, imiscível com nossa sociedade corrida e pseudo-racional. Não queremos fugir ao padrão e continuamos evitando o sentir. Evitando, em verdade, a felicidade.

Temos modificado bruscamente o significado da palavra amor. Dizer "eu te amo" tem sido algo reservado a deuses, completamente fora do nosso cotidiano. Como se, para amar, precisássemos de algo além de um coração aberto.

Ah! Como seria belo se disséssemos “eu te amo”, a todos aqueles pelos quais sentíssemos isso. Pois longe de aprisionar ou nos deixar vulneráveis, o fato de amar e ser amado deveria nos encorajar, nos felicitar, nos completar!

Mas dizer "eu te amo" depende de duas coisas. De descobrir quando amamos alguém e de dizer a essa pessoa! Conceituar o amor é impossível, pois o amor não foi feito para habitar dicionários, nem para ser resumido em letras. O amor foi feito para ser sentido. E o amor existe, quando temos a certeza de que aquela pessoa é importante para nós, é insubstituível, e inesquecível. Esta última palavra é uma das mais importantes. Se uma pessoa que nos faz feliz é inesquecível, isso é amor. Se adoramos ou queremos bem a alguém, significa que em 5, 30, 50 anos iremos esquecê-lo. Aqueles que amamos se tornam eternos. Por isso amar é tão belo e imprescindível. É a eternização de quem nos faz feliz.

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Pura ideologia? Não sei... Só sei que sou eu.

[Detalhe, tô copiando esse colchete da Clara eauheuahea]
[Quem já comentou esse post na época em que ele foi publicado, não precisa se preocupar em comentar =)]

segunda-feira, junho 7

Vários em Um: Cinema, Fotos, Comments...

Nesse post teremos vários conteúdos:
- Cinema: Harry Potter e O Dia Depois de Amanhã
- Pensando sobre as Fotos...
- Sistema de Comments do Blog
- Pesadelos....

Cinema: Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban

No sábado, 5, segundo dia de cartaz do filme HP III, fui ao Alameda com a Clarinha. O filme, da sessão de 21:45, foi surpreendente: primeiro pq não lembrava nem um centímetro do livro, incrível!, segundo, pois nunca vi tanta falta de educação em tão poucos metros quadrados! Fiquei realmente assustado! É sempre assim no alameda ou eu e a Clara que demos azar? Foi incrível! Gritaria, gritaria, gritaria..., siginificando: não tenho mãe nem pai em casa; celular piscando, onde se pode ler: sou idiota com celular e quero mostrar pra todo mundo; imitações retardadas do que acontecia em cena, que podem significar: sou um fracassso como gente e também como ator.... Oxxiiiiiii... Isso me irrita! Se não queria ver pra que que veio (foi) ? E o filme ainda era dublado, não sei pq! Mas se eles esperavam retardados no filme deveriam ter me avisado, pois eles nem deviam saber ler mesmo... Faixa de idade dos retardados: 14/15/16/17 anos... Depois ainda querem liberar pra que pessoas com 16 anos já possam dirigir... Tô no mundo errado?

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Outra incompreensão! O filme: "o dia depois de amanhã", com o título propositalmente escrito por mim em letras minúsculas.

Que ridículo... Ah-ha-ha-ha.... Risada forçada é pouco. Sobre esse filmeco norte-americano (leia-se Estados Unidos-Desunidores da América) que eu faço questão de salientar que não vi, algumas considerações negativas se fazem necessárias: pra quem não sabe, a história do filmeco gira em torno de uma hecatombe, em que os países do norte teriam as temperaturas reduzidas a níveis espetacularmente inabitáveis, e os países do hemisfério sul receberiam os co-habitantes do mundo da parte rica. Ou seja, um exílio (permanente?) do povo do norte no sul. Não estou criticando isso; apesar de tudo, se isso acontecesse deveríamos sim receber os companheiros do norte (até mesmo os yankees, arg!!!). O mais espetacularesco é o seguinte: os países do sul recebem os do norte, e "em troca" têm as dívidas externas "perdoadas".... Pera, pausa pra risada-irônica-incontrolável: eaeahueauheauhehaueauheuaea uhuhuhuhuhuhuhuuuuuuuuuu me seguraaaaa ahahahahhahahhaha huhuhuuuuuuuuuuuuuuuhuuuuuuuuuuu ai ai ai ai ai to sem arrrr ihihihihihihihiih. Pronto. Enfim, não tenho nem comentários. Quer dizer, tenho alguns: imaginem o mundo nessa hecatombe: metade do mundo destruído, e a metade rica deste. Todas as indústrias, os bancos, o próprio estado. Não existiria mais um Estados Unidos, uma Inglaterra, nenhum país. Pois seria um caos, para todos. Com os países do norte destruídos, eles virariam mendigos do mundo, sem nada, sem posses, sem riquezas. O dollar não mais existiria. Como é que eles podem "perdoar" a dívida externa (com 1 milhão de aspas na palavra perdoar), se nem mais FMI existiria. Se nem mais bolsas de valores existiriam. Se nem mais o dollar existiria. Que ridículo. Ao final de tudo ainda deixaram a mensagem que seria vantagem pra nóis acolhê-los, pos perdoariam nossa dívida. Quem tem que perdoar alguma coisa na relação norte-sul não são eles, pelo contrário, nós é que temos que perdoá-los por tanta probreza gerada aqui em troco da riqueza por lá, em tantas mortes, em tanta miséria... Como diriam os mais velhos: Emerich (produtor do filme), faça-me o favor, né...

Sobre fotos

Minhas fotos antigas são curiosas: nunca estou olhando para a câmera... Estou sempre olhando para algum ponto vazio, ou para dentro de mim. A câmera é sempre uma qualquer nesse momento. Mas acho que isso acontece com todos. Há coisa mais complicada e irônica do que pedir para alguém "fingir espontaneidade" ? Paradoxo. se tem algo que não dá para fingir é isso: "Faz uma cara natural!", se é natural não dá pra ser "feita"....

Comments...

Tenho que arranjar algum sistema de comments para que as pessoas não precisem comentar como anônimas, e eu tenha que fazer um puzzle de advinhação toda vez que alguém comenta. Alguma sugestão? (Até que é divertido, mas é meio complicado o sistema de comments do blogger.com)

Pesadelos

Primeiro gostaria de dizer que acho essa palavra muito estranha... Quando era criança achava que era "pesadero"... Vai entender... Mente infantil é como caixa-preta de avião... (alguém entendeu essa metáfora? Em caso positivo, podem me explica, pois nem eu q fiz entendi...) Mas esse tópico é apenas para uma coisa: tem coisa melhor que acordar de um pesadelo?