Chegou a fase de comprar livros. Nada melhor do que isto, convenhamos. Roupas, sapatos, video-games... Tudo é moda; um livro bem escrito é eterno. E eu rodei todos os sebos do centro de Juiz de Fora, que ficam, aliás, todos numa mesma galeria em forma de ferradura. Quem sabe 6, 7 sebos, e em nenhum deles achei um livro que me interessasse. Achar livro em sebo é como pegar uma batéia, sentar à beira do rio, e de repente ver, lah no fundo, brilhar um pouquinho de ouro. É uma sensação de achar dinheiro na rua, com o benefício de não criar consciência pesada.
Fui pra faculdade e comprei 2 revistas Lumina, da pós em Jornalismo da UFJF. Já tinha a 1,2,3,4 e 9. Comprei a 6/7 (siameses) e a 8. A 5 se esgotou. E comprei outro livro, um livro de poemas. O título é por demais sugestivo, e eu já não aguentava mais de curiosidade de ler os poemas. O autor, que quase formou em filosofia, é de uma intelectualidade (não forçada, diga-se) surpreendente. O livro, chamado OUTRO SOL, reúne os poemas de Julio Polidoro que foram escritos de 1979 até 2003. Meu livro ainda vem com dedicatória (estou chique mesmo, galera!).
Não li o livro todo, obviamente. Afinal comprei ontem, e os poemas são difíceis de captar. Recomendo o livro, e aí seguem dois poemas que gostei muito:
"meu coração um ancião habita
e aponta longe o corpo que vivi
o corpo que vivi perante a porta
perante a porta que jamais abri
seria após o Éden, seus jardins?
depois viria o que não tenho em mim?
ou portas e mais portas para abrir?
sem chaves, fechaduras, sem o si?
não há que erguer o véu, buscar resposta
nem há o corpo longe que perdi -
mas onde a porta por detrás da porta?"
(Julio Polidoro - Outro Sol, P. 109, 2004)
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"O círculo"
círculos são retas no desvio
curva para dentro
autofagia
giro do pião
a seta
apontando-se
(Julio Polidoro - Outro Sol, P. 197, 2004)
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Nem ouso explicar os poemas. Tenho pra mim que certas coisas quando explicadas perdem a magia (tente explicar uma piada, um poema, uma mágica. Na mesma hora cai por terra o encantamento). E há outro motivo: pra explicar teria que ter entendido, e ademais, teria que crer que só há uma explicação. E nisso eu não acredito. Não há verdades em análises de sentimento.
Vinícius Diniz
(comprem o livro!)
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