domingo, janeiro 30

Reconhecendo-os...

Vinícius de Moraes disse, e vale a pena ler, quantas forem as vezes. Não tive coragem de cortar o texto, vale cada linha. Dedico a todos aqueles que são amigos, mesmo sem o saberem.

Tenho amigos que não sabem o quanto são meus amigos. Não percebem o amor que lhes devoto e a absoluta necessidade que tenho deles.

A amizade é um sentimento mais nobre do que o amor, eis que permite que o objeto dela se divida em outros afetos, enquanto o amor tem intrínseco o ciúme, que não admite a rivalidade.

E eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos! Até mesmo aqueles que não percebem o quanto são meus amigos e o quanto minha vida depende de suas existências…

A alguns deles não procuro, basta-me saber que eles existem. Esta mera condição me encoraja a seguir em frente pela vida.

Mas, porque não os procuro com assiduidade, não posso lhes dizer o quanto gosto deles. Eles não iriam acreditar. Muitos deles estão lendo esta crônica e não sabem que estão incluídos na sagrada relação de meus amigos.

Mas é delicioso que eu saiba e sinta que os adoro, embora não declare e não os procure. E às vezes, quando os procuro, noto que eles não tem noção de como me são necessários, de como são indispensáveis ao meu equilíbrio vital, porque eles fazem parte do mundo que eu, tremulamente, construí e se tornaram alicerces do meu encanto pela vida.

Se um deles morrer, eu ficarei torto para um lado. Se todos eles morrerem, eu desabo!
Por isso é que, sem que eles saibam, eu rezo pela vida deles. E me envergonho, porque essa minha prece é, em síntese, dirigida ao meu bem estar. Ela é, talvez, fruto do meu egoísmo.

Por vezes, mergulho em pensamentos sobre alguns deles. Quando viajo e fico diante de lugares maravilhosos, cai-me alguma lágrima por não estarem junto de mim, compartilhando daquele prazer…

Se alguma coisa me consome e me envelhece é que a roda furiosa da vida não me permite ter sempre ao meu lado, morando comigo, andando comigo, falando comigo, vivendo comigo, todos os meus amigos, e, principalmente os que só desconfiam ou talvez nunca vão saber que são meus amigos!

A gente não faz amigos, reconhece-os.

(Vinícius de Moraes)


E no coração a certeza de que fiz novos amigos em Janeiro, e amigos que já me fizeram muito feliz. Amigos cuja amizade já valeu a pena, mesmo em poucos dias de convivência; amigos cuja sinceridade só me faz confirmar a importância que a eles devoto; amigos cujos passos desejo que sejam repletos de felicidade. E a esses dois novos amigos, e a esses dois novos e verdadeiros amigos, Rafael e Nathália (donos de belíssimos blogs), só me resta agradecer!

Como é bom ter amigos!

Não tenho muito o que dizer, o poeta já disse por mim. Amo esse texto do Vinícius de Moraes.

Que saibamos reconhecer os amigos, eles só estão esperando...

quinta-feira, janeiro 20

Novo Template

Esse novo template muito me agrada.

Já estava enjoado do outro, e, como disse ao Rafael, se não arranjasse outro template, corria o risco de eu fazer uma greve de posts. Enfim, arranjei! :)

Só me falta um lugar pra colocar os links, mas a linguagem do BlogSpot é meio complicada em mudanças como essa, não é um simples HTML. Se alguém souber me ajudar (Nathy?).

Tem um rescurso nele de citação, olha que bonito:

"Há um modo de fugir que se assemelha a procurar." Victor Hugo, em 'Os Miseráveis'


"É das feições dos anos que se compõe a fisionomia dos séculos." Victor Hugo, em 'Os Miseráveis'


"De quem tem o coração morto, nunca os olhos choram." Victor Hugo, em 'Os Miseráveis'


"Trabalhou para viver; depois, ainda para viver, porque o coração também necessita de alimento, amou." Victor Hugo, em 'Os Miseráveis'


"Existe uma coisa mais poderosa que todos os exércitos: uma idéia cujo tempo é chegado." Victor Hugo



Falem se gostaram do template aí! :) Espero que sim!

E estou ansioso para colocar os links de tantos blogs legais por aqui.

sábado, janeiro 15

Quarteto da Saudade

Porque o passado em saudade
Se faz mais presente que tudo?
Porque é que nós, sem maldade,
Amamos o que já está mudo?

17.06.03

quarta-feira, janeiro 12

"Artigo Enésimo - declaro proibidos os sentimentos"

[ressuscitando e reescrevendo post de 18 de fevereiro de 2004]

A sociedade tem aversão ao sentir. Quando é inevitável, impensável se torna sua reverberação. Censuramos nosso coração, como se tivéssemos medo. Medo do que? Medo de sofrer? Medo de nos tornarmos vulneráveis? Medo de viver?

O amor é considerado impraticável e inviável em nossa sociedade pseudo-racional. Colocamos metodologia na forma com que devemos nos relacionar, colocamos barreiras na maneira de externar nossos sentimentos. O bom político, o bom administrador, enfim, o bom profissional, é aquele frio, duplo: jogador de pôquer. Um na vida, outro no trabalho. Temos medo de fugir ao padrão – embora nosso coração o peça, - e continuamos evitando o sentir. Evitando, em verdade, a felicidade.

Temos modificado bruscamente o significado da palavra amor. Dizer "eu te amo" tem sido algo reservado a deuses, completamente fora do nosso cotidiano. Como se, para amar, precisássemos de algo além de um coração aberto.

Ah! Como seria belo se disséssemos “eu te amo” a todos aqueles pelos quais sentíssemos isso. Pois longe de aprisionar ou nos deixar vulneráveis, o fato de amar e ser amado deveria nos encorajar, nos felicitar, nos completar!

Mas dizer "eu te amo" depende de duas coisas. Primeiro constatarmos esse amor, depois dizermos.

Conceituar o amor é impossível, pois o amor não foi feito para habitar dicionários, nem para ser resumido em letras, foi feito para ser sentido. O amor seria o Amor se em nossa inteligência coubesse? O mar seria o mar se encerrado em duas mãos reunidas? O infinito, o que seria, se fosse circunscrito?

Se não sabemos dizer o que é o amor, ao menos é possível dizer quando ele existe: quando temos a certeza de que certa pessoa é importante para nós, é insubstituível, e inesquecível. Esta última palavra é uma das mais importantes. Se uma pessoa que nos faz feliz é inesquecível, isso é amor. Se adoramos ou queremos bem a alguém, em algum tempo iremos esquecê-lo. Entretanto, aqueles que amamos se tornam eternos. Por isso amar é tão belo e imprescindível. É a eternização de quem nos faz feliz.

[ Post reescrito por saudade do texto original, e por certeza pessoal de que tudo evolui. Se após um ano não conseguisse melhorá-lo, que decepção teria! ]

[ E também foi reescrito por inspiração de um texto que li no belíssimo blog da Nathy, vale a pena! É o de 10 de Janeiro!
(http://pensamentosdanathalia.blogspot.com/) ]

[ Concordo que é um texto que esquece das dificuldades impostas pela sociedade. Poderia fazer outro texto depois, falando da outra face, das complicações de dizer "eu te amo" a todos: amigos(as), primos(as), conhecidos(as)... Mas é bom sonhar. ]

terça-feira, janeiro 11

Post provisório decorrente de revoltas climáticas

O calor é verdadeiramente insuportável. Prefiro mil vezes o frio. Já percebeu como as pessoas no frio usam as roupas mais chiques do armário, fica todo mundo cheirozinho, ninguém fica grudando, ou com o pé suado! Fala sério! Tudo bem que numa praia o sol é fundamental, e praia com frio não dá, mas moro no interior do país, em um estado que não tem praia nem artificial, aí como é que eu fico! Post pequeno, mas é pra expressar minha revolta a esse calor que ta querendo chegar de vez, e quem mora em Juiz de Fora sabe: nenhuma chuva aplaca. (e que chuvarada também! Nunca vi! Bem que podia dar uma acalmada, esperar ônibus em Juiz de Fora com chuva é péssimo!)

P.S.: Não estou mal humorado, apenas revoltado com esse clima inumano que os humanos provocam na Terra.