[ressuscitando e reescrevendo post de 18 de fevereiro de 2004]
A sociedade tem aversão ao sentir. Quando é inevitável, impensável se torna sua reverberação. Censuramos nosso coração, como se tivéssemos medo. Medo do que? Medo de sofrer? Medo de nos tornarmos vulneráveis? Medo de viver?
O amor é considerado impraticável e inviável em nossa sociedade pseudo-racional. Colocamos metodologia na forma com que devemos nos relacionar, colocamos barreiras na maneira de externar nossos sentimentos. O bom político, o bom administrador, enfim, o bom profissional, é aquele frio, duplo: jogador de pôquer. Um na vida, outro no trabalho. Temos medo de fugir ao padrão – embora nosso coração o peça, - e continuamos evitando o sentir. Evitando, em verdade, a felicidade.
Temos modificado bruscamente o significado da palavra amor. Dizer "eu te amo" tem sido algo reservado a deuses, completamente fora do nosso cotidiano. Como se, para amar, precisássemos de algo além de um coração aberto.
Ah! Como seria belo se disséssemos “eu te amo” a todos aqueles pelos quais sentíssemos isso. Pois longe de aprisionar ou nos deixar vulneráveis, o fato de amar e ser amado deveria nos encorajar, nos felicitar, nos completar!
Mas dizer "eu te amo" depende de duas coisas. Primeiro constatarmos esse amor, depois dizermos.
Conceituar o amor é impossível, pois o amor não foi feito para habitar dicionários, nem para ser resumido em letras, foi feito para ser sentido. O amor seria o Amor se em nossa inteligência coubesse? O mar seria o mar se encerrado em duas mãos reunidas? O infinito, o que seria, se fosse circunscrito?
Se não sabemos dizer o que é o amor, ao menos é possível dizer quando ele existe: quando temos a certeza de que certa pessoa é importante para nós, é insubstituível, e inesquecível. Esta última palavra é uma das mais importantes. Se uma pessoa que nos faz feliz é inesquecível, isso é amor. Se adoramos ou queremos bem a alguém, em algum tempo iremos esquecê-lo. Entretanto, aqueles que amamos se tornam eternos. Por isso amar é tão belo e imprescindível. É a eternização de quem nos faz feliz.
[ Post reescrito por saudade do texto original, e por certeza pessoal de que tudo evolui. Se após um ano não conseguisse melhorá-lo, que decepção teria! ]
[ E também foi reescrito por inspiração de um texto que li no belíssimo blog da Nathy, vale a pena! É o de 10 de Janeiro!
(http://pensamentosdanathalia.blogspot.com/) ]
[ Concordo que é um texto que esquece das dificuldades impostas pela sociedade. Poderia fazer outro texto depois, falando da outra face, das complicações de dizer "eu te amo" a todos: amigos(as), primos(as), conhecidos(as)... Mas é bom sonhar. ]
PODCAST ENTRE ASPAS
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