[ período de textos loucos? exercícios (a)criativos? ]
Pega o bonde pega o bonde e sai correndo que a vida tá chegando logo atrás e tá passando e tá passando. Vê a vida ir à frente já passou por seu “agora” e o seu “agora” já é o ontem de muita gente que à frente foi. Vê a moça de olhos pregados no céu que ameaça a chuva mandar. Vê o moço de olhos pregados na saia da moça que vê a hora da chuva cair. Vê o parque passando a loja passando a padaria passando. Vê da janela do bonde a briga na porta da escola de ensino médio. Vê a chuva cair e olha a moça que agora sorri pelo canto da boca. Vê o moço que olha a moça também sorrir pelo canto da boca. Vê a moça de olhos pregados nos rios que a chuva faz na avenida que o bonde passa. Vê a prefeitura passar levando consigo uma casa e outra casa e um prédio e um banco. Vê a moça descer do bonde pulando a poça que a avenida fez. Vê o moço de olhos na moça sorriso desfeito e olhos tristes que a moça desceu. Vê seu ponto chegar e a vida parar e o bonde apitar. Vê você outra poça também e desce do bonde e escapa do bonde e esvai pela arcada do bonde e sai correndo que a vida à frente não pode não pode esperar.
[ pra que vírgulas? a ambiguidade também é arte, é liberdade de criação e interpretação pessoal]
PODCAST ENTRE ASPAS
quinta-feira, fevereiro 23
quinta-feira, fevereiro 2
E porque rasgasse a noite...
O silêncio era irritante porque rasgava a noite. Faz viajar.
E porque rasgasse a noite, e porque triste e mudo, e porque silente e cortante viajasse pelos átomos do desespero que cumpriam sua hora batendo cartão na madrugada, ouviam-no ao longe, uivar de dor, de solidão, de tanta solidão que até mesmo as palavras lhe abandonaram, naquela primeira aurora, naquela prima hora, como em uma áurea libertação da rotina, que quando rôta já muda de nome, já muda de rota, já se transforma, como tudo, sem parar, que transforma, que se queima, que se banha se estranha e espantada diz ao próprio céu da própria boca que se sabe ali mas não se vê, diz a si mesmo que a vida é essa, que a vida está essa e é você que inventa, como diria Ferreira Gullar, pois a arte do encontro que é a vida, também é a dos desencontros, como disse o também poeta Vinícius de Moraes, cujo nome, assim como os versos de um soneto de petrarca, são dodecassílabos perfeitos, tal qual “Marcus Vinícius da Cruz de Mello Moraes”, e percebo, após esse comentário sua expressão de inutilidade, tal como a vi nos olhos do último que acabou de ler o texto e nem sequer comentou, sequer comentou aquele comentário mortiçamente construído, sequer escreveu uma frase de amigo que gosta de todo e qualquer texto, nem ao menos deu-se ao trabalho de criticar, ou nem mesmo poderia fazê-lo, pois pode ser até o caso de ter chegado à essa linha sem ter percebido que não há sequer um ponto após o início deste parágrafo, não é comadre – comadre? – ou compadre – não sei – que nos lê, e que, certamente, deixará um belíssimo comentário ao acabar o louquíssimo texto que por ora se apresenta nestas letras opacas como a vida de que não acredita em si e neste fundo pálido como a memória daquele que nunca amou – nem a si mesmo -, e que, por egoísmo, vê na tristeza dos outros sua densa alegria – um cão late. Late. Late.
O silêncio, pesado, incontido, deixa de existir. A viagem termina. O barulho nos dá o que pensar.
E porque rasgasse a noite, e porque triste e mudo, e porque silente e cortante viajasse pelos átomos do desespero que cumpriam sua hora batendo cartão na madrugada, ouviam-no ao longe, uivar de dor, de solidão, de tanta solidão que até mesmo as palavras lhe abandonaram, naquela primeira aurora, naquela prima hora, como em uma áurea libertação da rotina, que quando rôta já muda de nome, já muda de rota, já se transforma, como tudo, sem parar, que transforma, que se queima, que se banha se estranha e espantada diz ao próprio céu da própria boca que se sabe ali mas não se vê, diz a si mesmo que a vida é essa, que a vida está essa e é você que inventa, como diria Ferreira Gullar, pois a arte do encontro que é a vida, também é a dos desencontros, como disse o também poeta Vinícius de Moraes, cujo nome, assim como os versos de um soneto de petrarca, são dodecassílabos perfeitos, tal qual “Marcus Vinícius da Cruz de Mello Moraes”, e percebo, após esse comentário sua expressão de inutilidade, tal como a vi nos olhos do último que acabou de ler o texto e nem sequer comentou, sequer comentou aquele comentário mortiçamente construído, sequer escreveu uma frase de amigo que gosta de todo e qualquer texto, nem ao menos deu-se ao trabalho de criticar, ou nem mesmo poderia fazê-lo, pois pode ser até o caso de ter chegado à essa linha sem ter percebido que não há sequer um ponto após o início deste parágrafo, não é comadre – comadre? – ou compadre – não sei – que nos lê, e que, certamente, deixará um belíssimo comentário ao acabar o louquíssimo texto que por ora se apresenta nestas letras opacas como a vida de que não acredita em si e neste fundo pálido como a memória daquele que nunca amou – nem a si mesmo -, e que, por egoísmo, vê na tristeza dos outros sua densa alegria – um cão late. Late. Late.
O silêncio, pesado, incontido, deixa de existir. A viagem termina. O barulho nos dá o que pensar.
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