[ período de textos loucos? exercícios (a)criativos? ]
Pega o bonde pega o bonde e sai correndo que a vida tá chegando logo atrás e tá passando e tá passando. Vê a vida ir à frente já passou por seu “agora” e o seu “agora” já é o ontem de muita gente que à frente foi. Vê a moça de olhos pregados no céu que ameaça a chuva mandar. Vê o moço de olhos pregados na saia da moça que vê a hora da chuva cair. Vê o parque passando a loja passando a padaria passando. Vê da janela do bonde a briga na porta da escola de ensino médio. Vê a chuva cair e olha a moça que agora sorri pelo canto da boca. Vê o moço que olha a moça também sorrir pelo canto da boca. Vê a moça de olhos pregados nos rios que a chuva faz na avenida que o bonde passa. Vê a prefeitura passar levando consigo uma casa e outra casa e um prédio e um banco. Vê a moça descer do bonde pulando a poça que a avenida fez. Vê o moço de olhos na moça sorriso desfeito e olhos tristes que a moça desceu. Vê seu ponto chegar e a vida parar e o bonde apitar. Vê você outra poça também e desce do bonde e escapa do bonde e esvai pela arcada do bonde e sai correndo que a vida à frente não pode não pode esperar.
[ pra que vírgulas? a ambiguidade também é arte, é liberdade de criação e interpretação pessoal]
PODCAST ENTRE ASPAS
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