Fiz a seguinte proposta: Nath, eu te digo uma frase e vc me diz outra. Eu tenho q fazer um texto que começa com a frase que você me der e você com a frase que eu te der. Isso feito, cada um foi para seu mundo e escreveu um texto.
Foi legal. O computador dela fez o favor de apagar a primeira versão... então temos uma segunda, que acho que ela já não tava tão animada em fazer! hahahah Enquanto ela fazia escrevi um poema usando a frase que ela me deu. Aí gravei e coloquei um fundo musical que é uma música composta pelo meu irmão Ronan e que eu gravei no mp3 player, sem saber que seria útil...
A frase que ela me deu: ...Mas, infelizmente, não sei ver carneiro através de caixa. Sou um pouco como as pessoas grandes. Acho que envelheci.... (O Pequeno Príncipe)
A frase que dei para ela: "A vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida" (Vinícius de Moraes)
Clique aqui para baixar o poema! 311 kb!
Ela econômica, direta. Eu, prolixo, piegas. hahaha Os textos.......
O dela:
"A vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida."
(Vinícius de Moraes)
Será que é justamente nesse antagonismo que encontramos a arte da vida? Será que os encontros e desencontros aos quais somos submetidos são tudo aquilo que realmente nos importa, e de onde poderemos e devemos retirar tudo aquilo que se faz importante?
Porque se for, a partir de agora significado de viver pode ser "envolver-se com a vida". Sim, envolver-se, não apenas estar vivo e acordar todos os dias ligando o automático. Tirar dos desencontros que, na verdade, podem ser encarados como encontros com as adversidades, as melhores lições, sempre. E que a cada novo encontro, aquele caracterizado, possamos também enxergar neles as razões. E se razões não existirem, que a partir deles possamos ter ações, que talvez sejam o que realmente importa.
Mas admita: tão difícil viver e deixar de lado o medo de se comprometer com a máquina errante do ser humano não? Tão difícil não se entregar ao medo, mas à vida, simplesmente. Tão difícil, ainda, conseguir driblar o receio de ser perder daquilo que já se encontrou. Tão difícil não se perder.
A vida é a arte de se encontrar, com pessoas ou situações, boas ou más. A arte da sua vida, da minha vida está em se envolver com ela a ponto de enxergar em cada desencontro uma lição e em cada encontro uma razão.
O meu:
Uma caixa não é só uma caixa
- ...Mas, infelizmente, não sei ver carneiro através de caixa. Sou um pouco como as pessoas grandes. Acho que envelheci....
Foi isso que ouvi naquele dia, quando papai lia para mim um livro. Não lembro o nome. Sei que tinha um principezinho, sei que tinha um elefante, a rosa, umas rosas.
- Como assim, ele não podia ver carneiro através de caixa? – perguntei, indignado.
Papai tirou os olhos do livro e transferiu-os para o sem fim.
- Como assim?
Ele não me ouviu. Não estava mais ali. Levantei-me e fui até a cozinha, arrastando as meias encardidas no chão.
- Mamãe, você consegue ver através de uma caixa?
- Estou ocupada fazendo almoço.
- Mas é que eu não entendo. Você também não consegue ver coisas dentro de uma caixa?
- Você quer que o almoço saia ou não?
- Sim, mas...
Não falei mais nada. Olhei para ela e virei de costas para ir buscar um papel. Peguei! Revirei minha caixa de brinquedos até achar a caixa de lápis de cores. Pronto! Sentei-me e desenhei uma caixa. Fiz a caixa mais bonita que consegui. Corri para a cozinha, com um sorriso imenso.
- Mamãe...
- Oi, filho. – ela respondeu sem parar de mexer na panela.
- Olha o que desenhei.
- Uma caixa.
- Sim! – disse empolgado. – Aí dentro tem 5 filhotes de cachorro! – comecei a rir. – Olha que lindos!
- Crianças! Vai brincar. Aí só tem uma caixa... – enquanto ia para a sala ela resmungava – Onde já se viu, eu ocupada e... ora essa.
Guardei os 5 filhotes embaixo da minha cama e comecei a brincar, brigando com os insetos que estavam no meu quarto, com os morcegos que vieram a seguir e com os crocodilos e jacarés, as onças e os ursos! Ganhei todas as batalhas.
Naquele mesmo dia após o jantar, chegando próximo à casa de minha professora de piano, ouvi um choro baixinho.
Fui andando mais devagar até poder espiar na janela. Era a Sofia. Minha professora. Francesa de nascimento, com leve sotaque quando dizia até um simples obrigado ou quando dizia Beto, meu apelido, ela tinha olhos azuis bem claros e umas rugas que evidenciavam o tempo de sua jornada. Os olhos dela estavam muito úmidos, e eu pensei que ela devia estar enxergando tudo embaçado. Deve ter esquecido os óculos dela em algum lugar! Aí ela não consegue achar, aí ela começou a chorar, aí ficou mais difícil ainda de achar! É isso! Ah, doce inocência...
Bati à porta, não uma, mas várias vezes.
Nada.
Silêncio.
Insisti. Toc, toc, toc.
Nada.
- Professora! Eu posso ajudar a achar os... Aí a senhora vai ver tudo diferente! – gritei.
Passos. Sofia abriu a porta e eu a abracei.
- Não chora, não precisa. Eu te ajudo.
- Você já sabe?
- O que?
- Bernard...
- Que tem o Seu Bernardo – nunca conseguia falar Bernard.
- Ele, se foi. Para sempre.
Meus olhos se arregalaram.
- Isso quer dizer que a senhora não vai nunca mais falar com ele?
Ela balançou a cabeça.
- Me espera 10 minutos. Eu já volto! Prometo.
Saí correndo, com todo aquele fôlego que se tem aos 8 anos e voltei com o mesmo fôlego, afinal, ainda tinha 8 anos.
- Toma - entreguei um papel a ela.
Enquanto ela abria fui falando.
- Desenhei uma janela nessa folha.
- Muito bonita, Beto... muito bonita!
- Ah, obrigado! – respondi. – Toda vez que você quiser falar com o Bernardo, é só você pensar nele e olhar para a janela. Ele vai aparecer do outro lado, aí vocês podem conversar!
Ela não falou nada.
- Hoje papai leu para mim que tudo que a gente quer existe. Que a gente tem é que acreditar.
- Posso te contar um segredo? – não esperei a resposta dela. - Eu tenho 5 filhotes embaixo da cama! Papai não pode descobrir, ou põe todos na rua!
Ela ficou me olhando, sorrindo.
- Ah, quando a senhora conversar com ele, mande um abraço. Depois a gente repõe a aula.
Dei um beijo nela e fui correndo alimentar Id, Tod, Rex, Duke e Jod. O 5 filhotes.

Essa homanagem aqui em cima foi feita por um grande amigo, meu irmão Beto! Olha que perfeito que ficou. Foi após ler a história. É isso! Valeu, Beto! De coração!
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