Eu acredito que se pode medir a sinceridade de uma lágrima por sua temperatura. Hoje chorei lágrimas pesadas e quentes. Essas são lágrimas que não exigem som, não exigem nada além de 2 ou 3 soluções no intervalo de tempo de uma rapsódia.
Despedi hoje de praticamente todos aqui de Jackson. Das pessoas do trabalho, dos conhecidos, das criaturinhas frequentemente vistas nos vai-e-véns. Foi ruim, mas foi. Depois, agora a noite, os amigos apareceram aqui em casa e foi tão difícil.Ontem já havia chorado escrevendo a carta de despedida do Donovan (que vou deixar na cama dele quando sair em algumas horas. Hoje chorei novamente.
Chorei despedindo do Mat. Aí vi que não ia aguentar. Ia piorar, a cada um que viesse despedir. O Mat não chorou, mas ele tomou todas pra ajudar no processo. Ele despediu de mim e depois voltou 5 vezes para dar outros 5 abraços. E ficava olhando pra mim de longe com cara-de-Que-foda-essa-situacão-Ô-diabo-Sô (ou em inglês "a What-the-fuck-I-Hate-goodbyes-Wha`the-hell-Damn-it-face").
Chorei despedindo do Ty, meu irmãozim mais criança daqui, que tem língua presa até para falar Vini e eu acho isso MUITO maneiro. Nunca tinha visto ngn com língua presa para falar Vini. Vou sentir falta dele gritando Vinnie. Ele nunca falava meu nome, só gritava: Vinnieeee! Queria conseguir falar ingles com língua presa, acho maneiro. O Ty também não chorou mas ficava o tempo inteiro falando: Vinnie... Vinnieee! Vinnie... E ia e voltava, abraçava, ameaçava ir, voltava. Engraçado como cada um lida de uma forma com despedidas.
O Ty veio despedir junto com a Megan e aí eu chorei mais ainda. Como vou sentir falta dela também! Ahhhhhh! Isso é um tanto ruim. Ela é um anjinho, carinhosa, cuidadosa, ajuda tudo que a gente precisa, não há nada que a gente possa reclamar dela. E ainda passa aperto aqui também, pois ela não se adapta tanto em estar numa cidade de riquinhos (eu não tenho contato com eles... Só tenho amigos legais). Ela passa aperto e ficou muito grudada na gente e ah... Jogar video game com ela é legal. Sempre que ela jogava com o Kirby (um personagem de Super Mario Smash) eu ficava falando: Quem tá jogando com o Pikachu, pois isso deixava ela com vontade me me bater. E sempre que ela brinca que vai me bater ela dá um tapinha no meu rosto que é tão de leve e com a ponta dos dedos, que se houvesse um inseto pousado nele eu juro, juro que ele sobreviveria. Ela não chorou mas estava segurando um tantão. Mas eu chorei por ela.
Aí vieram outras pessoas e eu não chorei. (Uhuuu!) Aí veio o Jake. Jake é o melhor amigo do Donovan (meu roomate) e vivia aqui. A gente tava sempre junto (Eu, Xand - que veio comigo -, Jake e Donovan). Ele veio falando que tinha que ir e começou a chorar. Aí eu chorei também e o Xand chorou também. Eu abracei ele apertado e fiquei pensando como a vida é engraçada. Há tantas pessoas especiais no mundo. Quando ele saiu, chorando, a primeira coisa que eu fiz foi agradecer a Deus por ter tido uma temporada tão perfeita. Perfeita a ponto de molhar o rosto de lágrimas diversas vezes durante a noite.
Daqui a algumas horas despeço do Donovan. Esse irmão que fiz aqui vai fazer muita falta. Mesmo. Dói imaginar ficar sem todos eles. Sem o Donovan dói dobrado. Morei com ele 2 meses, trabalhei 4 meses. Morar junto e trabalhar no mesmo lugar fez com q nossa amizade ficasse amizade de anos em apenas 4 meses. E agora está doendo bastante, viu... Está sim. Sabia que ia acontecer assim, mas está doendo.
Não sei a temperatura das lágimas que vão nascer dos meus olhos quando tiver que dar o abraço de despedida. Talvez o último abraço, pois não está nos meus planos voltar a Jackson. De verdade. Não por conta de como foi, pois foi perfeito. Mas formo em outrubro e preciso achar emprego ou entrar em um mestrado...
O Donovan entrou no nosso quarto mais cedo sem falar nada, deitou numa das camas. Em alguns minutos ele estava com as mãos cobrindo o rosto e chorando sem fazer sequer um movimento milimétrico ou qualquer decibél passível de audição.
Nessa hora não chorei. A vida se impôs muito grave em minha consciência e pude sentir um pouco de Deus e da eternidade nisso tudo. Agora além de estar em São Paulo e em Juiz de Fora e em Brasília e em Georgia e em Curitiba e no RJ... agora eu também estou em Jackon, no coração de mais de uma dezena de amigos e amigas que eu amo. Agora além de estar em Jackson, eles vão comigo para o Brasil. Sorte que meu coração não vai ser escaneado na alfândega...
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