domingo, novembro 28

Ah, o mar!

Amo o mar. Talvez seja uma das coisas mais lindas que Deus tenha criado. O mar, as árvores e eu (tá... deixem eu delirar um pouco!). Sentar na praia sem nenhuma criança jogando areia pra cima - que depois sem dúvida cai diretamente no seu olho esquerdo com o devido auxílio do vento, olhar para o horizonte, onde parece que o mar desgruda do céu. Pensar que ali está a África. Pensar que aquilo tudo é água! Meu Deus! É muita água! Pensar naquilo que todo pai diz: a rainha da Inglaterra também faz xixi no mar, assim como você (será que nosso xixi já se encontrou com o dela do outro lado do mar?)... Pensar na minha irmã quando sai correndo da água ao ver um cardume passando a 10 metros... Nossa... Teve uma vez que eu estava na areia, com minha família, meu avô, todos nós comendo pastéis. Do nada uma enormidade de abelhas passaram perto de nós, muita abelha. Teve gente que corria, teve gente se escondia no mar. Meu avô mandou eu ficar quieto, agaixado, sem mexer. Assim fiquei. As abelhas não me importunaram. Minha irmã e meu pai estavam no mar, e ficavam tentando mergulhar pra fugir daquelas milhares de abelhas intrusas. E meu pastel, com metade comido e com o recheio todo me esperando no fundo. É. Aconteceu. Uma danada de uma abelha, vendo que eu estava imóvel, pousou na beirada do pastel, foi andando e entrou nele, se refestelando no recheio. Que tristeza! Nessas horas sempre prometo a mim mesmo comer o recheio logo começo! Foi aquela típica situação de quem come o bolo de brigadeiro e deixa o recheio por último, ou quem come a coxinha de catupiry pelas bordas para ficar só o catupiry se equilibrando vastamente num pequeno pedaço de massa, e chega um amigo esperto e pede uma pedaço. Só que o amigo no caso era a abelha. Uma só foi cara de pau. As outras só passavam, amedrontavam todos que estavam por lá, faziam algumas mulheres gritarem. O enxame passou, assim como a vontade de comer aquele pastel abelhado. Mas o mar continuou lindo. Antes disso, depois disso. Em outra feita, o churrasco rolando solto lá na casa que temos nessa praia, há mtos anos, e que meu vô construiu pra gente, que minha tia projetou (tudo em família); de repente passam 2 caras. E passam de volta. Entram. Apontam dois revólveres pra nós. Roubam meu som de cd que havia comprado com tanto esforço (nem taaanto assim) com uma fita dentro que minha irmã tinha montado. Levam um dinheiro do meu pai e o carro. Ao saírem, passando pela porta da garagem, perto de nós, não resisti e soltei um "volte sempre". É a famosa hospitalidade mineira. Foi sem querer. Juro. O fato é que aconteceu. E minha maninha ainda chorou por terem levado a fita dela! Pelo meu som que é bom ninguém derramou uma lágrima! Era som de CD! Por causa disso, antes disso, depois disso, eternamente... Sempre amarei aquilo tudo! Voltaria pra lá quantas vezes pudesse! Ah, o mar! Como o amo! O único "porém" foi que naquele dia a carne acabou esfriando, e sem o som ninguém teve paciência de esperar esquentar novamente...

(deixaram o carro na estrada... isso aconteceu há uns bons 3 anos... tdo é verídico... sério... mas nem foi tão ruim qto parece o assalto)

terça-feira, novembro 9

Na estrada...

Na longa estrada da vida temos muitos exemplos, poucos deles são realmente apreciados. E digo isso - sem rodeios - baseado da história de uma criança, inocente como toda criança de verdade, da qual certa feita ouvi falar, e da qual certamente não me esquecerei.

-X-

Era tarde. O sol se recolhia, dando o exemplo do que deveria ser feito por todos. Mas uma pessoa não o imitaria, imitaria talvez a lua: nostálgica em seu solitário tormento. Pelo menos assim a vêem os menos românticos, como a moça cujos olhos não faziam outra coisa além de chorar. Choravam ambos os olhos, turvando sua vista. Mas não turvavam sua dor, isso não. A dor de quem perdeu o marido, em tenra idade, a dor de quem perdeu um companheiro, oprimia o peito, o que a fazia pensar que a única válvula seria a lágrima incontida.

À porta, a mãe da viúva chega com os olhos brilhando, daqueles que seguram o choro com as pálpebras, e evitam piscar para que uma lágrima não precipite.

- Há uma visita para você.

- Hoje não atendo ninguém. Não estou a fim de falar. - Respondeu com dificuldade a moça.

Após uma pausa a mãe continuou.

- É o Daniel. Ele está com um vaso de flores.

- Qual Daniel? - Pergunta a viúva.

- O aluno da sua escola.

Aquiesceu com o rosto, balançando a cabeça. A mãe foi chamar o jovem enquanto a viúva (diretora de uma escola) enxugava as lágrimas o mais que podia. Alguns minutos depois, abrindo a porta, a criança, de 5 anos, com um vaso de flor pequeno, mas que mal cabia em suas mãos, andou até a diretora, entregou-lhe o vaso e disse:

- O moço da floricultura disse que se chama Fortuna. - E sorriu o sorriso que só as crianças possuem.

A diretora não falou nada. E nem conseguiria. Via o tesouro que tinha à frente, valia muito mais do que qualquer fortuna: um coração bom.

A criança sentou-se ao lado da sua diretora e disse:

- Sua mãe me contou que a senhora não está muito bem, e talvez fosse melhor eu voltar outra hora. Mas eu vim justamente por você não estar bem, né! Aí pedi a ela pra me deixar entrar. A senhora não precisa falar nada, vou ficar aqui do seu lado também sem falar nada, só pra fazer companhia.

Colocou sua mãozinha sobre a da diretora e completou:

- Te amo, tia Regina.

Fechou os olhos, encostou na sua tia do colégio, e ficou assim, mudando as vezes de posição, até que a diretora e amiga acalmasse.

Duas horas depois ia embora, e ainda completou, do alto de seus 5 anos:

- Tia Regina, a senhora pode contar comigo.

Colocou as mãos nos bolsos, andou para a porta e se foi. A lembrança, no entanto,
nunca saiu do coração da diretora. Nessas horas, o silêncio, a companhia, valem muito mais do que as palavras.

sábado, novembro 6

O Poeta e a Rosa (e com direito a passarinho)

"O Poeta e a Rosa"
(e com direito a passarinho)

Vinícius de Moraes


Ao ver uma rosa branca

O poeta disse: Que linda!

Cantarei sua beleza

Como ninguém nunca ainda!



Qual não é a sua surpresa

Ao ver, à sua oração

A rosa branca ir ficando

Rubra de indignação.



É que a rosa, além de branca

(Diga-me isso a bem da rosa...)

Era da espécie mais franca

E da seiva mais raivosa.



- Que foi? - balbucia o poeta.

E a rosa: - Calhorda que és!

Pára de olhar para cima!

Mira o que tens a teus pés!



E o poeta vê uma criança

Suja, esquálida, andrajosa

Comendo um torrão da terra

Que dera existência à rosa.



- São milhões! - a rosa berra

Milhões a morrer de fome

E tu, na tua vaidade

Querendo usar do meu nome!...



E num acesso de ira

Arranca as pétalas, lança-as

Fora, como a dar comida

A todas essas crianças.



O poeta baixa a cabeça.

- É aqui que a rosa respira...

Geme o vento. Morre a rosa.



E um passarinho que ouvira

Quietinho toda a disputa

Tira do galho uma reta

E ainda faz um cocozinho

Na cabeça do poeta.