terça-feira, junho 21

Meu Ar

Em 3 dias tomei uma decisão que mudou minha vida. Decidi pelo mais difícil, decidi pelo obscuro, decidi pelo incerto; decidi pelo que, a longo prazo, me faria mais feliz. Mas paguei um preço, alto, muito alto.

Corri atrás daquilo que julgo ser meu futuro mais adequado. Tranquei uma federal e fiz 2 meses de cursinho para uma particular. Tranquei jornalismo na UFJF e estou partindo pra Relações Internacionais na PUC MG.

Porque, como, onde? não sei. Sei que deixo para trás – sem os perder – amigos que me fizeram a pessoa mais feliz do mundo. Deixo em Juiz de Fora uma vida mil vezes melhor do que mereço. Deixo amigos aos montes, sim, amigos. Pessoas que eu amo, pessoas que eu admiro, pessoas que me fazem ter vontade de chorar sempre que me lembro da distância que se aproxima.

Aquela tristeza que um filho sente ao ser deixado pela mãe, pela primeira vez, numa creche. “Ela não vai voltar”. Ela sempre volta, mas a tristeza daquele momento inicial, o momento da despedida, o momento em que as mãos se separam dando espaço ao tremendo abismo da saudade, aquele momento é cruel.

Mesmo que a presença física não seja atributo indispensável da amizade, ela faz falta naqueles que vêem nos amigos a força a continuar. Quando se ama a vida que tem, e, entretanto, é irremediável a mudança, tudo fica nublado. A tarde azul de verão cede espaço a tristeza de saber que estou deixando tanta gente imprescindível a mim.

É como se soubesse que estarei deixando o ar puro da floresta em direção ao caos climático da cidade grande. É isso... amigos são meu ar puro.

Saber que precisarei recomeçar e construir novas amizades, e o medo de que nunca mais consiga uma vida tão feliz como a que estou deixando, me deixa triste. Triste e satisfeito. Se consegui uma vez angariar tantas pessoas das quais jamais me esquecerei, não será tão difícil conseguir novamente. Tomara.

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