quarta-feira, janeiro 31

Se tivesse um diário...

Hoje, escreveria exatamente isso se tivesse um diário.
Sabe... tem dias que você fica meio triste, a toa. Aí você espera que seus amigos e as pessoas que gostam de você façam alguma coisa. Mas eles não podem fazer nada. Quem pode é você. É você quem deve agir, não eles. É você quem deve fazer algo, mudar, transformar para ser feliz.

Sabe... você até fica um pouco triste pelo fato de eles não fazerem algo por você, por eles não serem a solução do seu problema, mas essa é a verdade. Da nossa felicidade, só a gente é o dono.

Fora que eles podem estar pior que você, nunca se sabe. Mais tristes, preocupados. Dá um aperto no coração quando alguém que você gosta muito não faz muito esforço aparente de te ajudar, mas isso também é errado. A gente nunca sabe o que passa no coração do outro. O caminho é olhar para si para ser feliz. Não olhar para si no sentido de esquecer dos outros, mas no sentido de se conhecer. Olhar para si no sentido de se questionar, de se investigar.

Sabe... meus amigos são tudo, mas não são eu. E só cabe a mim cuidar de ser feliz. 

segunda-feira, janeiro 29

Sombra...arbmoS

Um dia, se minha sombra me deixar, eu não mais serei o mesmo.
Serei a esmo.
Serei só.
Serei sombra do que fui.
Andarei sem deixar rastros que me acompanham, sem deixar pegadas que flutuam.
A sombra me lembra da morte.
Ao mesmo tempo estou de pé e ensaio o meu deitar sombrio.
Mas se a perder, nada me lembrará a situação derradeira, e nada me lembrará que é a luz que dá sentido, que é a luz que contorna, que identifica.
E serei só, porque serei só o presente. Sem sombra de qualquer passado, de qualquer futuro, de qualquer impermanência.
Mas não desligarás nunca de mim, mesmo que estejas ligada por poucos pontos no teu vagar sombrio.


Algum dia claro e sombrio (só há sombras onde há claridade) de 2006

domingo, janeiro 7

Por incrível que pareça, escrito de sábado pra domindo, as 2:40 da manhã, por conta da matéria de cinema, da teoria neo-realista. Eles dizem que história pode ser supérfluo, pode-se fazer um filme apenas sobre um pequeno acidente, explorando as diversas facetas humanas, morais e estéticas dele. Aí resolvi fzer um teste. Não pensei em nada. Escrevi o começo "Aquele instante se desprendeu" e daí fui escrevendo de acordo com a lógica q ia surgindo. Enfim. Mais um exercício. Vou fazer mais desses.

Aquele instante se desprendeu do tempo como uma folha arrancada da árvore por uma ventania de inverno. Dei um passo em sua direção e olhando para o lago de sua alma, vi-me refletido, disforme embora. O vento sobre as águas, sincronizado com minhas expirações, fazia sentir-me integrado a sua vida, como duas ondas que se encontram, para nunca mais se poderem distinguir. Mais um passo para me encontrar a ponto de precipitar-me sobre a água de teus sentimentos, quando tua voz, embargada pelo peso da sua história, soprou-me longe, sustendo-me no meu próprio mundo mais alguns momentos. Tenho medo. Fazendo uma força apenas possível quando imaginei que cada músculo era uma corda que eu puxava ouvindo o amor sussurrar palavras de motivação em meus ouvidos, aproximei-me novamente. A sua simples presença inconteste, fez minha voz ficar ausente. Não sei quanto tempo, mas de repente percebi que já não respirava. Era como se tudo houvesse parado, o mundo, as ondas, nós dois. E então respirei. Olhei para mim em seus olhos, e essa simples remissão me fez tremer, nas pernas já não havia força bastante para segurar o peso da eternidade. Não tenha medo. E nossos olhos se fecharam juntos, não vi. Não se fecha os olhos, mas sim passa-se a olhar pra dentro. E dentro só podia ver a você, e você, só a mim. Nós nos olhamos, interiormente, e nos aproximamos. Foi quando dentro de cada um nossos dedos se tocaram... Todo um abismo que nos separava fora suplantado por atividade ígnea sempre proporcional àquela acontecida no coração dos amantes. Dois passos nos separavam, embora já nos encontrássemos juntos em outro plano. Aproximei-me o que me cabia. Olhei em seus olhos. Silêncio. Ouvi uma gota de orvalho escorregar de uma folha aos meus pés, raspando em suas pequenas ondulações e com um pequeno estrondo chegar ao solo. Silêncio. Nossa respiração, nossos corações. Um passo, basta um passo. Fechei os olhos. Barulho. Um passo! Para onde? Para trás? Para mim? Silêncio. Calor. Nossos corações se encostam. O meu falha uma batida. Apenas para seguirem juntos. Como um só. Pela eternidade.