quarta-feira, junho 3

Presidentes americanos de 45 a 89 - Resumo Histórico

Presidentes americanos de 45 a 89 - Resumo Histórico from Vinícius Werneck on Vimeo.



Resumo histórico dos principais passos dados e desafios enfrentados pelos presidentes americanos do pós-segunda guerra mundial. Incluem Harry S. Truman, Dwight Eisenhower, John F. Kennedy, Lyndon Johnson, Richard Nixon, Gerald Ford, Jimmy Carter e Ronald Reagan.

quinta-feira, abril 2

Na vida quem perde o telhado
 em troca recebe as estrelas



Tom Zé é um dos melhores exemplos de como o Brasil é pródigo em esquecer talentos, para logo em seguida reverenciá-los quando são reconhecidos em outras terras.

Não tenho conhecimentos musicais de forma alguma superiores ao da média, então não analiso aqui qualquer questão de teoria musical ou história da música. Há outros mais competentes nisso. Quero chamar atenção para que alguns amigos meus talvez passem a conhecer esse que é um dos maiores gênios da música brasileira.

O gênio que Caetano ou o ministro Gilberto Gil, por exemplo, não são. Identificados em um primeiro momento com a tropicália, que foi o movimento posterior à Bossa Nova, que fora posterior ao samba-canção, Gil, Caetano e Tom Zé fizeram bastante sucesso. Caetano que é excelente letrista e melodista, popularizou-se e cristalizou-se. Descobrindo o veio do sucesso, não mais remou em outros rios. Gil não foi diferente. Um gênio, do contrário, nunca se contém nos moldes que ele cria.

Tom Zé, o gênio de Irará – cidade que carrega consigo em cada canto do planeta quando vai fazer um show -, é artista. Mas artista em um sentido exigente proposto pelo único poeta que viveu como poeta, Vinícius de Moraes:

Picasso é como o câncer às avessas. Sua arte múltipla e prolífica representa uma tremenda afirmação de vida, pois o grande andaluz reformula-se constantemente, até quando varia sobre o mesmo tema. O quadro é para ele como um abismo onde se lança de cabeça, e que uma vez possuído, repele-o fora, como uma mulher violentada. Porque Picasso é dos poucos artistas de qualquer época a quem o abismo teme. O abismo teme esse louco saltimbanco que se atira no vácuo da tela sem saber se vai voltar – e volta sempre. De quantos mais, no nosso século, se pode dizer o mesmo?


Tom Zé se entende como processo e sua arte como uma consequência em transformação. Ele não aceita fazer melodia e letra, simplesmente, como tantos fazem bem feito. Se já o fazem, e fazem-no melhor (segundo ele próprio), por que ele seria aquele que faria o mesmo e de qualidade inferior. Tom Zé joga fora os remos, pula do barco e experimenta.

O inventor de Irará cria sons, produz novas formas, experimenta enceradeira, esmeril, jornal, tira o som da vida e faz música do improvável. Ouvir Estudando o Samba, “biscoito” que o tirou das sombras que o Brasil o colocou é uma tarefa absolutamente arrastadora. As palavras comovem, Tom Zé arrasta. É um disco que facilmente entra nos melhores discos já produzidos no país e que ficara guardado nas prateleiras empoeiradas de lojas no Brasil até David Byrne (ex Talking Heads), já à época importante produtor musical, descobrir o disco jogado em meio a tantos outros. Ele teve sua atenção chamada por arames que fazem parte da arte da capa do disco.

Tom Zé tem uma formação musical sólida – e nesse sentido teórico mesmo! Teve como mestres Hans Joachin Koellreutter e Ernst Widmer na UFBA. Foi eleito globalmente um dos melhores músicos da década de 90 pela revista Rolling Stones.
Conhecer Tom Zé exige ouvir sua música. Eu poderia falar horas de trechos e músicas que me deixam sorrindo timidamente. Vinícius dizia que "A arte não ama os covardes. Eu digo, então: a arte ama Tom Zé.



DESTAQUES:

Quando eu vi

Que o largo dos aflitos

Não era bastante largo

Pra caber minha aflição,

Eu fui morar na estação da luz,

Porque estava tudo escuro

Dentro do meu coração.


Na vida quem perde o telhado

Em troca recebe as estrelas

Pra rimar até se afogar

E de soluço em soluço esperar

O sol que sobe na cama

E acende o lençol

terça-feira, março 17

Um último dia em Jackson

Eu acredito que se pode medir a sinceridade de uma lágrima por sua temperatura. Hoje chorei lágrimas pesadas e quentes. Essas são lágrimas que não exigem som, não exigem nada além de 2 ou 3 soluções no intervalo de tempo de uma rapsódia.

Despedi hoje de praticamente todos aqui de Jackson. Das pessoas do trabalho, dos conhecidos, das criaturinhas frequentemente vistas nos vai-e-véns. Foi ruim, mas foi. Depois, agora a noite, os amigos apareceram aqui em casa e foi tão difícil.Ontem já havia chorado escrevendo a carta de despedida do Donovan (que vou deixar na cama dele quando sair em algumas horas. Hoje chorei novamente.

Chorei despedindo do Mat. Aí vi que não ia aguentar. Ia piorar, a cada um que viesse despedir. O Mat não chorou, mas ele tomou todas pra ajudar no processo. Ele despediu de mim e depois voltou 5 vezes para dar outros 5 abraços. E ficava olhando pra mim de longe com cara-de-Que-foda-essa-situacão-Ô-diabo-Sô (ou em inglês "a What-the-fuck-I-Hate-goodbyes-Wha`the-hell-Damn-it-face").

Chorei despedindo do Ty, meu irmãozim mais criança daqui, que tem língua presa até para falar Vini e eu acho isso MUITO maneiro. Nunca tinha visto ngn com língua presa para falar Vini. Vou sentir falta dele gritando Vinnie. Ele nunca falava meu nome, só gritava: Vinnieeee! Queria conseguir falar ingles com língua presa, acho maneiro. O Ty também não chorou mas ficava o tempo inteiro falando: Vinnie... Vinnieee! Vinnie... E ia e voltava, abraçava, ameaçava ir, voltava. Engraçado como cada um lida de uma forma com despedidas.

O Ty veio despedir junto com a Megan e aí eu chorei mais ainda. Como vou sentir falta dela também! Ahhhhhh! Isso é um tanto ruim. Ela é um anjinho, carinhosa, cuidadosa, ajuda tudo que a gente precisa, não há nada que a gente possa reclamar dela. E ainda passa aperto aqui também, pois ela não se adapta tanto em estar numa cidade de riquinhos (eu não tenho contato com eles... Só tenho amigos legais). Ela passa aperto e ficou muito grudada na gente e ah... Jogar video game com ela é legal. Sempre que ela jogava com o Kirby (um personagem de Super Mario Smash) eu ficava falando: Quem tá jogando com o Pikachu, pois isso deixava ela com vontade me me bater. E sempre que ela brinca que vai me bater ela dá um tapinha no meu rosto que é tão de leve e com a ponta dos dedos, que se houvesse um inseto pousado nele eu juro, juro que ele sobreviveria. Ela não chorou mas estava segurando um tantão. Mas eu chorei por ela.

Aí vieram outras pessoas e eu não chorei. (Uhuuu!) Aí veio o Jake. Jake é o melhor amigo do Donovan (meu roomate) e vivia aqui. A gente tava sempre junto (Eu, Xand - que veio comigo -, Jake e Donovan). Ele veio falando que tinha que ir e começou a chorar. Aí eu chorei também e o Xand chorou também. Eu abracei ele apertado e fiquei pensando como a vida é engraçada. Há tantas pessoas especiais no mundo. Quando ele saiu, chorando, a primeira coisa que eu fiz foi agradecer a Deus por ter tido uma temporada tão perfeita. Perfeita a ponto de molhar o rosto de lágrimas diversas vezes durante a noite.

Daqui a algumas horas despeço do Donovan. Esse irmão que fiz aqui vai fazer muita falta. Mesmo. Dói imaginar ficar sem todos eles. Sem o Donovan dói dobrado. Morei com ele 2 meses, trabalhei 4 meses. Morar junto e trabalhar no mesmo lugar fez com q nossa amizade ficasse amizade de anos em apenas 4 meses. E agora está doendo bastante, viu... Está sim. Sabia que ia acontecer assim, mas está doendo.

Não sei a temperatura das lágimas que vão nascer dos meus olhos quando tiver que dar o abraço de despedida. Talvez o último abraço, pois não está nos meus planos voltar a Jackson. De verdade. Não por conta de como foi, pois foi perfeito. Mas formo em outrubro e preciso achar emprego ou entrar em um mestrado...

O Donovan entrou no nosso quarto mais cedo sem falar nada, deitou numa das camas. Em alguns minutos ele estava com as mãos cobrindo o rosto e chorando sem fazer sequer um movimento milimétrico ou qualquer decibél passível de audição.

Nessa hora não chorei. A vida se impôs muito grave em minha consciência e pude sentir um pouco de Deus e da eternidade nisso tudo. Agora além de estar em São Paulo e em Juiz de Fora e em Brasília e em Georgia e em Curitiba e no RJ... agora eu também estou em Jackon, no coração de mais de uma dezena de amigos e amigas que eu amo. Agora além de estar em Jackson, eles vão comigo para o Brasil. Sorte que meu coração não vai ser escaneado na alfândega...

sexta-feira, março 6

Teste de Desordem de Personalidade

Personality Disorder Test Results
Paranoid||||||||||||46%
Schizoid||||||||||||46%
Schizotypal||||||||||||||||||78%
Antisocial||||||||||||||58%
Borderline||||||26%
Histrionic||||||||||||||58%
Narcissistic||||||||||||||58%
Avoidant||||||30%
Dependent||||||||||38%
Obsessive-Compulsive ||||||||||||||58%
Take Free Personality Disorder Test
personality tests by similarminds.com

Aí segue o que consta na Wikipedia para Schizotypal Personality Disorder. Essa é a única que deu realmente alta. HauehiUHEauiea Medo....

O Transtorno de Personalidade Esquizotípica pode ser classificado como um modo suave de esquizofrenia. O transtorno é caracterizado por formas incomuns de pensamento e de percepção, e tendência ao isolamento. Os portadores deste diagnóstico muitas vezes crêem ter habilidades extra-sensoriais ou que eventos não relacionados se relacionam a eles de alguma forma importante. Eles, algumas vezes, se empenham em comportamento excêntrico e têm dificuldades em se concentrar por longos períodos de tempo. Suas conversas geralmente são excessivamente elaboradas e difíceis de acompanhar.

Pelo menos meu borderline deu baixo! CARACA, que alívio. Não faço a mínima idéia do que isso significa, mas estou grato de não ser um borderline. Dá medo esse nome... saca sou, alguém chegando pra vc e falando "Ow, sou um borderline!" e depois piscando o olho. =D

Estou esperando a opinião da Agna, já dizendo que se ela concordar q eu sou um pouco adepto da esquizofrenia, a gente vai ter uma conversinha séria. UHEaiuehUIEa Fiz o teste só de zueira, viu, Guininha! Fica brava nao... Quero ver o teste da Mariana Mendes, do Tico e do Nicks. Da guininha tb. =D

PS: verdade meeeeeesmo, não encaixo em nem 1 dos 10 itens sugeridos no site da wikipedia em ingles para essa disordem. Mas é divertido pensar q sou assim. Nossa, isso que acabei de fazer  me encaixa em um dos 10 itens (simplificadamente: excentricidade e pensamento inusitado).

-x-

OFICIAL DO SITE:

Schizotypal Personality Disorder - individual is uncomfortable in close relationships, has thought or perceptual distortions, and peculiarities of behavior.

Histrionic Personality Disorder - individual often displays excessive emotionality and attention seeking in various contexts. They tend to overreact to other people, and are often perceived as shallow and self-centered.

Obsessive-Compulsive Personality Disorder - individual is preoccupied with orderliness, perfectionism, and control at the expense of flexibility, openness, and efficiency.

quarta-feira, fevereiro 25

Entre brumas e colinas

Estou nos EUA agora, mais precisamente em Jackson, no desconhecido estado do Wyoming. É um estado "kind of redneck", mas que a gente acaba aprendendo a gostar. Ah, na verdade não conheço o Wyoming-além-Jackson. E olha que Jackson é meio que uma Xanadu mongoliana perdida num deserto branco. Talvez Mr. Kane não conhecesse a região, do contrário teria construído sua cripta no topo dos Tetons.



The Tetons - Jackson, WY - USA

Mas em breve estarei voando sobre essas montanhas em direção a São Francisco. Não havia melhor opção. Como Herb Caen ousava dizer, se um dia fosse para o Céu ele daria uma olhadinha em volta e diria... É, não é que seja ruim, mas não é São Francisco. Tendo deixado meu coração em São Francisco, assim como o fizeram Dean, Tony e Frank (cujos respectivos sobrenomes são Martin, Bennett e Sinatra), sinceramente entendo meu estimado companheiro de profissão e ganhador do pullitzer, Herb Caen.

Fiz o vídeo abaixo ano passado. Vale a pena ver, pois é relativamente curto para a quantidade de lugares diferentes que aparecem. A tradução da primeira estrofe da música é bem livre, já vou avisando...


Deixei meu coração em São Francisco
No alto de uma colina ele me chama
Para ir onde bondinhos escalam a meio caminho das estrelas
E a serração da manhã, talvez, preencha o ar.


Vou lá buscar meu coração, que terá que decidir de uma vez por todas: ou SF, ou Eu. Espero que ele volte comigo para o Brasil, mas não posso obrigá-lo a coisa assim. É cruel. Talvez ele aceite se dividir entre a cidade mais linda que ele já viu na vida e o peito no qual geneticamente ele devia estar de forma inteira. Corações não são seres ajuizados, de qualquer forma.

Comprei minha passagem de Jackson para São Francisco por 149 dólares. Foi um achado incrível (comemorem!), visto que a mesma passagem durante todos os outros dias do ano custa em torno de 600 dólares. Fiquei imaginando, mais por uma questão do meu humor ácido do que por maldade (acreditem!), como seria legal se eu, sentando no meu lugarzinho no avião, olhasse para os meus dois lados e dissese: "Oi! Paguei 149 dólares para estar aqui nesse vôo. E vocês?" Aí sorriria. Acho que chegaria sem dentes em SF.



O problema é que minha língua poderia ficar caindo para um dos lados caso me batessem apenas de um flanco.



Mas acho pelo menos que essa cara de quem morreu e não se deu conta não está conectada com a ausência de dentes. Há alguns outros fatores que colaboram para isso. Mas ver essas fotos me animou a evitar qualquer comentário que possa ter efeitos nefastos em minha passada por SF.

Chega a ser maldoso imaginar - car San Francisco est célèbre pour ses belles maisons victoriennes, ses tremblements de terre, ses rues très pentues - que a prisão de Alcatraz foi construída numa ilha próxima o bastante de São Francisco para que os prisioneiros pudessem vê-la se movimentar e ouvi-la pulsar, mas longe o bastante para que não sobrevivessem se tentassem uma empreitada nas águas geladas do Pacífico. O verdadeiro castigo de Alcatraz era lembrar os prisioneiros, a cada segundo, que a vida continuava lá fora. O pátio da prisão tem uma vista belíssima da cidade, que eles podiam ver por alguns minutos nos poucos dias da semana que esticavam as pernas. Sabiam quando a cidade se aquietava para dormir e ouviam os primeiros murmúrios com o nascer do dia.


Atrás do bondinho vê-se um pedaço da ilha de Alcatraz

Em três semanas troco as montanhas do Wyoming pelas colinas de Frisco, The City That Knows Hall.

Me deseje boa viagem!

quinta-feira, janeiro 29

O AMOR E O MAR

Assim como o mar não entende sua própria imensidão, assim como ele não toca seu início e seu fim pertencentes a universos distintos, da mesma forma o ser humano não se reconhece em sua infinitude. Mas o amor não é como um oceano ou como o ser humano, infinito em sua objetividade. O amor é como a espera entre uma onda e sua subsequente, o amor é como a ilha de Saramago, que sabe-se lá, mas não se sabe onde, o amor é como o náufrago, perdido do mundo mas em uma luta constante pelo retorno; incomparável e único e só, com a esperança sendo seu último esteio. O amor é a espera entre uma onda e outra - é a esperança de um náufrago perdido no desconhecido de si mesmo.

Vinicius Werneck - Madrugada de 29/01/09 - Jackson, WY - USA