domingo, dezembro 30

FOTOS!

Gente

tem mta foto em:

http://www.flickr.com/photos/22042035@N07/

entrem!

abs,

vinicius

(E COMENTEM LÁ!)

terça-feira, dezembro 18

This is America (?)

Há 16 dias atrás saí do Brasil. Viajei do Rio de Janeiro para São Paulo, depois para Nova Iorque. A viagem pra São Paulo demorou a começar um pouco, mas acabou que chegamos em Nova Iorque no horário previsto – seis e pouca da manhã. (Me desculpem o texto mal escrito, mas estou perdendo um pouco da facilidade de usar o português – creiam!. É algo que destrava logo, talvez na metade do texto. Como tenho pouco tempo, vai esse texto mesmo.

Estou no Cadillac Grille... Acabei de pedir um Billy Giant Cheeseburgue – sem cebola, sem maionese e sem alfaca (a alface aqui é ruim).



Pensei em um punhado de coisas pra contar... cada coisa que acontece dá vontade de contar... Queria poder escrever na hora que as coisas acontecem. Tem tanta coisa pra falar, sabe... mas essas coisas somem da minha cabeça... Minha memória definitivamente não me permite ser escritor. Quando tentei escrever um livro me surpreendi não sabendo o nome dos personagens ou não lembrando que eles existiam ou eram parentes 20 páginas atrás. Me dá medo isso, mas tudo bem. Cada um tem o que precisa...

Aqui ta passando futebol americano na TV – e isso passa direto. Não está tocando música de natal, mas isso é algo que definitivamente acontece o dia inteiro. All day long... To falando inglês o dia inteiro. O Marcus – ou o Lucas?... eta memória ruim – disse que antes de ontem eu sonhei e falei dormindo... Novidade? Sim... Foi em inglês. Tenho uma capacidade muito grande de me afundar na língua e começar a pensar mais ou menos nela. Quando saía da aula de 1 h e meia de inglês, eu falava thanks pra mulher da padaria lá em Juiz de Fora. Esse texto, eu comecei a escrever as primeiras palavras em inglês, aí me dei conta.

As pessoas aqui não conseguem falar meu nome... elas tentam e tentam mas não fica natural. Incrível... Nem eu sei o que ta de errado, mas ta errado. Meio q eles tem dificuldade com o monte de I e falam com som de E, ou então eles não conseguem falar o CIUS. Aí todo mundo me chama de VINI. É engraçado pq no Brasil só me chama de vini quem me conhece, e aqui até telefonista de entrega de pizza me chama assim....

Ah, eu tava com saudade de escrever aqui. Na verdade to com saudade de um monte de coisa... To com saudade dos meus amigos e família (muitaaaa), to com saudade da minha vida em JF, de sentir calor (pouco calor), de minha cama, dos meus livros, da minha internet boa, do meu armário, do cinema, de fazer coisas aí em jf, de tudo...

Mas eu to gostando, muito. Estou muito cansado, pq na última semana trabalhei quase 80 horas. Trabalhei nos últimos 11 dias sem um day-off (dia de folga), de manhã a tarde e a noite. Hoje falei com o chefe e ganhei um day-off pra amanhã. Que bom... ontem tava tão cansado que nem conseguia fazer nada mais.

Comprei algumas coisas já... Um óculos de sol – aqui é muito claro, pois é tudo branco -, um iPhone – aí tem o iPod + câmera + celular nele... -, bota de neve, um walkie-talkie (baratim, 22 dólares) pra levar pro CEIFA... eu acho que é isso.

Comprei também um livro em Salt Lake City, continuação de 2 livros que tenho aí no Brasil, chamados Pilares da Terra (Vol. 1 e Vol. 2). A continuação chama World Without End (Mundo Sem Fim). É do Ken Follet e deve ter umas mil páginas. É perfeito. Li as primeiras 12 páginas sem parar, em pé, na lavanderia... Só agarrei em 2 palavras! Fiquei bem feliz. To dando conta de conversar direitinho e entender bastante. Quando não entendo aqui provavelmente não entenderia em português também – pois são por problemas como “falar baixo”, “pra dentro”, “de costas e baixo”, “com barulho”, “sobre coisas que não conheço”.

Enfim, to na minha hora de almoço aqui, no restaurante, escrevendo esse texto. Envio quando chegar no hotel. O sanduíche deve estar chegando. É lindo, vou tirar foto pra vocês um dia. Ah, o iPhone é LINDO também. O guxin vai ficar doido com ele, pq o guxin ama celular e essas coisas. Hahaha Empresto por 100 reais o dia, viu!

Boa semana de véspera de natal pra vocês!

Saudades eternas!

vini

terça-feira, novembro 27

Despedida - MEDC

Creio ser a amizade o ponto exato em que o conhecimento sobre alguém e o amor se encontram sem conflito. Uma frase espirituosa do Millôr Fernandes diz: “Como são boas as pessoas que não conheço bem”. Verdade. Por isso é tão mágico, é tão intenso, quando mesmo sabendo os defeitos e conhecendo intimamente, amamos alguém e lutamos por sua felicidade. Amizade é a região da alma mais pura e divina, que ama sem egoísmo e quer bem sem contrapartida.

Segunda que vem não estarei mais aqui. Essa sala, essa casa e vocês todos, estarão ao alcance do meu coração, mas não mais ao alcance dos meus olhos e do meu abraço!

Sei que deixo para trás – sem os perder – amigos que me fizeram a pessoa mais feliz do mundo. Deixo em Juiz de Fora uma vida mil vezes melhor do que mereço. Deixo amigos aos montes, sim, amigos. Pessoas que eu amo, pessoas que eu admiro, pessoas que me fazem ter vontade de chorar sempre que me lembro da distância que se aproxima.

Aquela tristeza que um filho sente ao ser deixado pela mãe, pela primeira vez, numa creche. “Ela não vai voltar”. Ela sempre volta, mas a tristeza daquele momento inicial, o momento da despedida, o momento em que as mãos se separam dando espaço ao tremendo abismo da saudade, aquele momento é intenso.

Mesmo que a presença física não seja atributo indispensável da amizade, ela faz falta naqueles que vêem nos amigos a força a continuar. Alguns podem achar que essa carta é um exagero, mas se há algo que sozinho faz o mundo valer a pena, são meus amigos. Vocês são imprescindíveis para mim. É isso: amigos são meu ar puro, não é, irmão?. Se consegui uma vez angariar tantas pessoas das quais jamais me esquecerei, não será tão difícil conseguir novamente. Tomara.

Desde sempre acreditei que o amor era algo simples, algo tangível, viável. Temos modificado bruscamente o significado da palavra amor. Dizer "eu te amo" tem sido algo reservado a deuses, completamente fora do nosso cotidiano. Como se, para amar, precisássemos de algo além de um coração aberto.

Ah! Como seria belo se disséssemos “eu te amo” a todos aqueles pelos quais sentíssemos isso. Pois longe de aprisionar ou nos deixar vulneráveis, o fato de amar e ser amado deveria nos encorajar, nos felicitar, nos completar!

Conceituar o amor é impossível, pois o amor não foi feito para habitar dicionários, nem para ser resumido em letras, foi feito para se sentir. O amor seria o Amor se em nossa inteligência coubesse? O mar seria o mar se encerrado em duas mãos reunidas? O infinito, o que seria, se fosse circunscrito?

Se não sabemos dizer o que é o amor, ao menos é possível dizer quando ele existe: e ele existe quando temos a certeza de que certa pessoa é importante para nós, é insubstituível, e inesquecível. Para mim, o amor torna o ser amado inesquecível. É como se amor fosse o instrumento da inesquecibilidade. Se uma pessoa que nos faz feliz é inesquecível, isso é amor. Se adoramos ou queremos bem a alguém, em algum tempo iremos esquecê-lo. Entretanto, aqueles que amamos se tornam eternos. Por isso amar é tão belo e imprescindível. É a eternização de quem nos faz feliz.

De toda forma, carrego comigo a certeza de que a amizade é mesmo uma coisa tremenda. Carrego comigo a prova concreta – e que queima em mim pela saudade antecipada – de que vale a pena amar as pessoas.

É. Tenho certeza de que dará certo. De que seguindo aquilo que creio mais correto para mim e para os outros é possível ser feliz de novo e de novo. Sempre.

É. Dará tudo certo porque insistirei em ser eu mesmo, e não ligarei para aquilo que os outros esperam que eu seja. Estarei feliz comigo mesmo, portanto feliz com o mundo.

Dará tudo certo. Dará certo porque, independente da distância, sempre terei amigos me esperando para qualquer momento menos feliz e também – e principalmente - para os de extrema e harmônica compreensão do mundo.

Amo vocês, vocês são inesquecíveis pra mim.

quinta-feira, novembro 15

I'm going to Jackson!

Estava vendo telecine-qualquer-coisa, comendo um pão de batata com presunto queijo e um pouco de macarrão-conchinha do almoço - ficou bom! - quando uma música começa a tocar. O filme era sobre Johnny e June. A música é essa que provavelmente você está ouvindo.

I'm going to Jackson.......

Pois é... E logo no dia em que decidimos, finamente, após choro e vela, nosso destino. Será mesmo que é possível escolher o destino?

Chegamos em Nova Iorque na terça 6 da manhã (horário de lá) e vamos para Salt Lake City em Utah lá pela 1 hora da tarde. SEIS horas de viagem depois e apenas QUATRO horas mais tarde de acordo com o relógio de pulso (viva o fuso horário!) a gente chega no nosso segundo intermediário. Ficamos em Salt Lake City até o dia seguinte, dia 5 de Dezembro, quando vamos pela manhã ao escritório de seguridade social norte americano e, finalmente, rumamos para Jackson!

I'm going to Jackson....

Jackson é uma cidadezinha do interior do estado do Wyoming com 8 mil habitantes (a capital do Wyoming é Cheyenne).



O Wyoming é aquele estado verdezinho ali, no meio do mapa, ao norte do Colorado.

Depois dou mais informes sobre o vôo e tudo mais, o que importa é que....

I'm going to Jackson,
And that's a fact!





domingo, novembro 4

Joguinho: werneck multi-uso

Boa diversão (coloca sua pontuação nos comentários xD):

(...)

[EDITADO EM 15 de novembro de 2007 23:55]

O post antigo está na íntegra AQUI


Ele foi retirado para não pesar a página principal do blog.

Continuem jogando!

werneck

segunda-feira, outubro 22

A viagem

Poderia escrever muitas páginas sobre a viagem - e olha que ela nem aconteceu. Foram 2 meses pra decidir e até novembro vao ser 4 meses de preparação.

Conheci muita gente, como a Carol (do Rio), que me ajudou de maneira inesquecível nessa viagem. Tem o pessoal da ida para São Paulo conseguir o visto, tem o pessoal que entrei em contato nos Estados Unidos, tem as indecisões quanto ao destino, que se prolongam até hoje.

Mas não vou fazer um apanhado do que foi não. Vamos começar a partir de onde estamos.

Etapas definidas:
1. Decidi viajar
2. Consegui o dinheiro emprestado
3. Tirei o passaporte
4. Tirei o visto
5. Lutei por empregos

Etapas futuras
1. Decidir o emprego e a cidade
2. arrumar malas
3. Trocar últimos dólares
4. Viajar

Ainda tem mais etapa, mas enfim, elas vão surgindo com o tempo.

Tinha uma cidade em vista, desde agosto, que é a mesma que a Carol do RJ vai. Chama Telluride.





Essa cidadezinha de 2 mil habitantes e 20 mil turistas, é muiiiiito rica. Lá, segundo informações de fontes, Demi Moore e Tom Cruise têm casa. Diz-se correntemente também, que lá as pessoas dão gorjetas generosas. Ganhei um sobretudo de couro muito bonito, ia ficar muito bom usado lá. hehehe


A outra cidade surgiu de maneira engraçada. Um telefonema de San Francisco, Califórnia, de um Mr. Smith. A empresa é muito boa e o emprego também. Nesse emprego o valor de rendimento dependeria muito de mim, pois tem comissões sobre vendas. Meu papel seria visitar clientes em San Francisco, conversar com eles, ver se está tudo Ok e conseguir vender alguns produtor novos ou upgrades nos já existentes. Se eu me der bem nesse seria muito bom, afinal, o salário é bom. Se eu me der mal... afinal, lá estaria sozinho. Nao teria nem carol nem as pessoas de JF com as quais eu viajaria. E eu ficaria mtoooo feliz de poder viajar com essas pessoas (Ju, Ana Eliza, Carol e Marcus). Mas enfim, tenho q buscar o meu caminho.


San Francisco é onde tem a Golden Gate e a Prisão de Alcatraz. É uma cidade muito bonita. Lembra de Mudança de Hábito? Se passa em São Francisco. Não é uma cidade só de riqueza, como Telluride. Cada uma das opções tem vantagens e desvantagens, tenho q escolher rápido. Diria que, se o cara de San Francisco entrar em contato como prometeu, fico com uns 60% tendendo de ir pra lá.



Juro que é algo muito difícil escolher. Vamos ver como as coisas se encaminham. Helpe me, people!




terça-feira, agosto 28

Náufrago

Eu te amo como um náufrago, como o próprio oceano infinito, eu te amo como uma criança perdida, como uma cidade em ruínas. Eu te amo com a impermanência de um cometa, com a presteza de um sorriso. Te amo como um pássaro que mergulha num jardim desconhecido, como um vento que não sabe aonde vai, como uma palavra perdida na eternidade. Te amo como uma suspiro que não termina, como um olhar no intervalo de um abraço, como um silêncio suspenso entre duas almas. Te amo com medo de sofrer, com as lágrimas desse medo represadas na alma, com a incerteza do futuro pendendo na ponta de um momento.

vinicius werneck
24.08.07

domingo, julho 22

Olhar para trás

Eu adoro pessoas que olham para trás quando se despedem. Parece que deixam um pouco delas naquele olhar. Um pouco de uma saudade futura. Não como se dissessem saudosos que não queriam ter despedido. Mas esse olhar diz simplesmente como foi bom estar perto daquela pessoa. Quando não olhamos, é como se demonstrássemos felicidade por aquela presença ter, finalmente, se transformado em ausência. Algo assim. Talvez, olhar para trás, de leve, como quem nada quer, depois de alguns passos rumo a distância, seja mesmo reconhecer um pouco do que o outro deixa em nós ao partir. Reconhecer que nós já não somos os mesmos depois de um apertado abraço de despedida.

quarta-feira, março 7

Vinicius por ele mesmo em 3 anos

[Versão Março 2007]

Se conhecer é um dos maiores desafios do ser humano: quando você tiver certeza que já se conhece, estará apenas cruzando as primeiras ondas do imenso mar da consciência. Quando entender que por mais que mergulhe dentro de si mesmo mais profundezas há ainda para vasculhar, estará um pouco mais próximo do alto-mar da inconsciência. Quando não mais quiser saber-se por inteiro, mas quando bastar conhecer-se cada dia um dia a mais, estará já entre a inconsistência das vagas sabedorias da eternidade.

E quem eu sou? Certamente um paradoxo, uma antítese. O ser humano é assim: guarda em si extremos, luta por controlá-los, sofre por achar-se mais fraco que suas fraquezas, por não saber-se maior que tudo quando quer. Somos esse mar que é ao mesmo tempo destino de rios e desaguadouro. Somos o ser e a sombra, ora um, ora outro. Somos a causa e o efeito. Somos tudo - e cada grão do tudo que não somos faz-se nada.

Somos potência, somos inteligência, somos vontade. Somos instinto e razão. Somos desejo e impermanência. Somos caos e ordem, um se confundindo outro se organizando.

Somos impulso de felicidade que resulta em quase tudo. Somos pulso. Somos só. Só. Somos isso. Somos aquele que não conhecemos. Somos esse. Somo “s”. Só somos isso salvo a selva de sensações. Sábios? Talvez.

Só não sei o que sou. Um sábio disse: “só sei que nada sei”. Um tolo diz agora: “só sei que nada e tudo sou”.


[Versão Fevereiro de 2006]

Essa é a pergunta [quem sou eu] que todo mundo se faz, poucos respondem e não sei se alguém acerta. Drummond diria que o caminho normal de entendimento de si mesmo é assim, cronologicamente: eu maior que o mundo, eu menor que o mundo, eu igual ao mundo. Mas não estou com muita inspiração pra concluir algo sobre minha pessoa, muito menos para fazer com que alguém crie um conceito sobre mim baseado em poucas linhas de um profile no orkut. Saudoso o dia em que as pessoas precisavam se olhar nos olhos para ter conceitos sobre os outros, mesmo que aqueles mais básicos. Sem olhar nos olhos, nada estava feito. Esse texto que está aqui embaixo foi escrito em 2005, e está totalmente desatualizado. ...tranquei Jornalismo na UFJF, fiz outro vestibular pra Relações Internacionais ( www.ri.pucminas.br) na PUC Minas, passei, fiz um período inteiro, tranquei, voltei pra Juiz de Fora, vou fazer não sei muito bem o que, mas o pêndulo da vida oscila entre voltar a comunicação e em conjunto fazer Ciências Sociais, transferir-me para Ciências Sociais ou ficar somente com comunicação. Só o tempo dirá o caminho que segui, só o agora quando estiver mais distante do presente poderá dizer qual caminho devo seguir. Demorei muito pra complementar esse profile, portanto, não tenham pressa em ler aqui o que eu, finalmente, decidi.

[versão 2005]

Vinícius, 18, ainda acredita nas pessoas, no governo, em promessas. Lê 5 livros ao mesmo tempo mas não acaba nenhum deles, desiste, pega mais 5. Dependendo do dia fala sozinho, e nos outros ri sozinho. Ama e odeia o passado... Mas é feliz, a seu modo. Guarda segredo muito bem, mas não sabe esperar a data para dar o presente de aniversário. Ama o mar, incomensuravelmente. Está a léguas de escrever como um Drummond, mas escreve por prazer, o que já lhe dá grande vantagem... Sonha ser diplomata do Itamaraty, mas acha q não daria muito pra isso. É um garoto que planeja, ao contrário daqueles que dizem: O amanhã pertence só ao futuro. Mas não fica triste se o caminho se desvia do pressuposto, adapta-o aos planos. Atualmente pretende fazer um mestrado em lingüística e um doutorado no exterior (com bolsa de estudos) em Ciência Política ou Relações Internacionais - priorizando o segundo. Mas ainda está no segundo ano da faculdade de Comunicação da UFJF, terceiro período. Em 15 anos veremos como ficou o planejado. Te encontro lá?


Para uma pessoa muito amiga

Um dia me dei conta, e esse dia já se perde na esteira da vida, que eu tinha uma grande amiga. Uma pessoa que me olhava e me entendia, que me via e me fazia sorrir, com a qual eu gostava de conviver e falar. Uma amiga, enfim, que realmente amava.

Essa pessoa, que nesse momento terá quase certeza que é dela que falo, faz parte da minha história de forma irrevogável – até porque não quero de outra maneira.

Responsável, dedicada, inteligente, excelente professora, excelente amiga, faz charme que só, fica linda brava, mas fica linda sorrindo também... Mas as vezes também fica brava sem precisar. Gosta das coisas que faço, embora esteja meio sumida daqui... Leu coisas que mais ninguém leu, conversa comigo sobre coisas que só ela conversa... me ajuda a acreditar no meu futuro.

Anda meio sumida da minha vida também, e faz uma falta que ela sequer imagina. Faz falta porque confio nela mais do que ela sonha, porque me importo com ela por mais que possa imaginar, porque sinto mais saudade dela do que ela pode supor!

Ah, como é bom ter uma amiga assim. Como é bom poder olhar nos olhos dela de vez em quando e saber que aquela alma que ali se espelha é uma alma-irmã, que também me ama e me quer bem.

Mas pessoa, não se afasta assim. Meu olhos marejam de falar e de pedir, que não se afaste muito. Sei que não é por mal.... sei que são as contingências da vida... sei que é conseqüência de nossos estilos de viver, de nosso mundo mercadológico-capitalista-fordista-taylorista... sei que não é assim que você quer também...

Peço desculpa, pessoa, pelas ausências, pelos pequenos abandonos necessários por compromissos assumidos aos montes, mas saiba que o grande espaço que ocupa em meu coração está assegurado.

Você é uma pessoa que admiro, na qual confio, que amo e que espero sempre perto – mesmo se longe.

Na ausência física sinto-lhe próxima no coração; quando está longe, sinto-lhe próxima nas lembranças; quando se enclausura, sei que mesmo assim está pronta a ajudar.

Conta comigo, sempre. Você é uma amiga especial, insubstituível, inesquecível e que consta em minhas preces, quando agradeço a Deus pelas coisas mais importantes da minha vida. Pessoa, obrigado pelo carinho.

Te amo, Olívia,

Vinícius


quarta-feira, fevereiro 14

"Uma caixa não é só uma caixa" e "Encontro e desencontro"


Fiz a seguinte proposta: Nath, eu te digo uma frase e vc me diz outra. Eu tenho q fazer um texto que começa com a frase que você me der e você com a frase que eu te der. Isso feito, cada um foi para seu mundo e escreveu um texto.

Foi legal. O computador dela fez o favor de apagar a primeira versão... então temos uma segunda, que acho que ela já não tava tão animada em fazer! hahahah Enquanto ela fazia escrevi um poema usando a frase que ela me deu. Aí gravei e coloquei um fundo musical que é uma música composta pelo meu irmão Ronan e que eu gravei no mp3 player, sem saber que seria útil...


A frase que ela me deu: ...Mas, infelizmente, não sei ver carneiro através de caixa. Sou um pouco como as pessoas grandes. Acho que envelheci.... (O Pequeno Príncipe)

A frase que dei para ela: "A vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida" (Vinícius de Moraes)

Clique aqui para baixar o poema! 311 kb!

Ela econômica, direta. Eu, prolixo, piegas. hahaha Os textos.......

O dela:

"A vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida."
(Vinícius de Moraes)

Será que é justamente nesse antagonismo que encontramos a arte da vida? Será que os encontros e desencontros aos quais somos submetidos são tudo aquilo que realmente nos importa, e de onde poderemos e devemos retirar tudo aquilo que se faz importante?
Porque se for, a partir de agora significado de viver pode ser "envolver-se com a vida". Sim, envolver-se, não apenas estar vivo e acordar todos os dias ligando o automático. Tirar dos desencontros que, na verdade, podem ser encarados como encontros com as adversidades, as melhores lições, sempre. E que a cada novo encontro, aquele caracterizado, possamos também enxergar neles as razões. E se razões não existirem, que a partir deles possamos ter ações, que talvez sejam o que realmente importa.

Mas admita: tão difícil viver e deixar de lado o medo de se comprometer com a máquina errante do ser humano não? Tão difícil não se entregar ao medo, mas à vida, simplesmente. Tão difícil, ainda, conseguir driblar o receio de ser perder daquilo que já se encontrou. Tão difícil não se perder.

A vida é a arte de se encontrar, com pessoas ou situações, boas ou más. A arte da sua vida, da minha vida está em se envolver com ela a ponto de enxergar em cada desencontro uma lição e em cada encontro uma razão.


O meu:

Uma caixa não é só uma caixa

- ...Mas, infelizmente, não sei ver carneiro através de caixa. Sou um pouco como as pessoas grandes. Acho que envelheci....
Foi isso que ouvi naquele dia, quando papai lia para mim um livro. Não lembro o nome. Sei que tinha um principezinho, sei que tinha um elefante, a rosa, umas rosas.
- Como assim, ele não podia ver carneiro através de caixa? – perguntei, indignado.
Papai tirou os olhos do livro e transferiu-os para o sem fim.
- Como assim?
Ele não me ouviu. Não estava mais ali. Levantei-me e fui até a cozinha, arrastando as meias encardidas no chão.
- Mamãe, você consegue ver através de uma caixa?
- Estou ocupada fazendo almoço.
- Mas é que eu não entendo. Você também não consegue ver coisas dentro de uma caixa?
- Você quer que o almoço saia ou não?
- Sim, mas...
Não falei mais nada. Olhei para ela e virei de costas para ir buscar um papel. Peguei! Revirei minha caixa de brinquedos até achar a caixa de lápis de cores. Pronto! Sentei-me e desenhei uma caixa. Fiz a caixa mais bonita que consegui. Corri para a cozinha, com um sorriso imenso.
- Mamãe...
- Oi, filho. – ela respondeu sem parar de mexer na panela.
- Olha o que desenhei.
- Uma caixa.
- Sim! – disse empolgado. – Aí dentro tem 5 filhotes de cachorro! – comecei a rir. – Olha que lindos!
- Crianças! Vai brincar. Aí só tem uma caixa... – enquanto ia para a sala ela resmungava – Onde já se viu, eu ocupada e... ora essa.
Guardei os 5 filhotes embaixo da minha cama e comecei a brincar, brigando com os insetos que estavam no meu quarto, com os morcegos que vieram a seguir e com os crocodilos e jacarés, as onças e os ursos! Ganhei todas as batalhas.
Naquele mesmo dia após o jantar, chegando próximo à casa de minha professora de piano, ouvi um choro baixinho.
Fui andando mais devagar até poder espiar na janela. Era a Sofia. Minha professora. Francesa de nascimento, com leve sotaque quando dizia até um simples obrigado ou quando dizia Beto, meu apelido, ela tinha olhos azuis bem claros e umas rugas que evidenciavam o tempo de sua jornada. Os olhos dela estavam muito úmidos, e eu pensei que ela devia estar enxergando tudo embaçado. Deve ter esquecido os óculos dela em algum lugar! Aí ela não consegue achar, aí ela começou a chorar, aí ficou mais difícil ainda de achar! É isso! Ah, doce inocência...
Bati à porta, não uma, mas várias vezes.
Nada.





Silêncio.
Insisti. Toc, toc, toc.






Nada.





- Professora! Eu posso ajudar a achar os... Aí a senhora vai ver tudo diferente! – gritei.
Passos. Sofia abriu a porta e eu a abracei.
- Não chora, não precisa. Eu te ajudo.
- Você já sabe?
- O que?
- Bernard...
- Que tem o Seu Bernardo – nunca conseguia falar Bernard.
- Ele, se foi. Para sempre.
Meus olhos se arregalaram.
- Isso quer dizer que a senhora não vai nunca mais falar com ele?
Ela balançou a cabeça.
- Me espera 10 minutos. Eu já volto! Prometo.
Saí correndo, com todo aquele fôlego que se tem aos 8 anos e voltei com o mesmo fôlego, afinal, ainda tinha 8 anos.
- Toma - entreguei um papel a ela.
Enquanto ela abria fui falando.
- Desenhei uma janela nessa folha.
- Muito bonita, Beto... muito bonita!
- Ah, obrigado! – respondi. – Toda vez que você quiser falar com o Bernardo, é só você pensar nele e olhar para a janela. Ele vai aparecer do outro lado, aí vocês podem conversar!
Ela não falou nada.
- Hoje papai leu para mim que tudo que a gente quer existe. Que a gente tem é que acreditar.
- Posso te contar um segredo? – não esperei a resposta dela. - Eu tenho 5 filhotes embaixo da cama! Papai não pode descobrir, ou põe todos na rua!
Ela ficou me olhando, sorrindo.
- Ah, quando a senhora conversar com ele, mande um abraço. Depois a gente repõe a aula.
Dei um beijo nela e fui correndo alimentar Id, Tod, Rex, Duke e Jod. O 5 filhotes.



Essa homanagem aqui em cima foi feita por um grande amigo, meu irmão Beto! Olha que perfeito que ficou. Foi após ler a história. É isso! Valeu, Beto! De coração!

domingo, fevereiro 4

LISTA – Coisas bonitas na vida - Por mim mesmo....

Homenagem a Peter Greenaway pelo filme “O livro de cabeceira” e a Sei Shonagon pelo livro de mesmo nome.

Coisas bonitas na vida

1. Ipê com as flores ao chão, formando um tapete

2. Criança quando junta o fim do choro a um sorriso

3. O caminho da lua

4. Rio tão grande que não se vê a outra margem

5. Trem apitando nas montanhas de minas

6. Cheiro de pão de queijo

7. Coca-cola com mortadela

8. Aprender com o sofrimento

9. Sentir saudade e reencontrar

10. Tirinhas de lápis de madeira boa quando saltam do apontador

11. Encontrar alguém que gosta sem querer

12. Filhotes: gato, cachorro, passarinho

13. Estar perto de quem se ama

14. Sentir que amam você

15. Chamar alguém de irmão e ser chamado assim de volta

16. Sacola voando em dia de ventania

17. Listas sobre as coisas belas da vida

18. Cores, muitas cores

19. Ouvir uma bela história e ficar com os olhos cheios de lágrimas

20. Ajudar sem precisar contar a ninguém

21. Andar silenciosamente de madrugada nas ruas barulhentas durante o dia

22. Ir chutando pedrinha pelo passeio

23. Cantar uma música na chuva

24. Quando do nada você ouve uma música que ama sem esperar isso

25. Receber carta

26. Árvore balançando com o vento

27. Vento

28. Não passar fome, não passar sede

29. Passando fome ou sede saber aprender com isso

30. Aprender sempre

31. Desviar de uma formiga no passeio

32. Canto de passarinho

33. Ser perdoado e sentir isso

34. Livro que não se consegue soltar

35. Amar e ser amado de volta

36. Amar mesmo se não te amam

37. Amar



 

quarta-feira, janeiro 31

Se tivesse um diário...

Hoje, escreveria exatamente isso se tivesse um diário.
Sabe... tem dias que você fica meio triste, a toa. Aí você espera que seus amigos e as pessoas que gostam de você façam alguma coisa. Mas eles não podem fazer nada. Quem pode é você. É você quem deve agir, não eles. É você quem deve fazer algo, mudar, transformar para ser feliz.

Sabe... você até fica um pouco triste pelo fato de eles não fazerem algo por você, por eles não serem a solução do seu problema, mas essa é a verdade. Da nossa felicidade, só a gente é o dono.

Fora que eles podem estar pior que você, nunca se sabe. Mais tristes, preocupados. Dá um aperto no coração quando alguém que você gosta muito não faz muito esforço aparente de te ajudar, mas isso também é errado. A gente nunca sabe o que passa no coração do outro. O caminho é olhar para si para ser feliz. Não olhar para si no sentido de esquecer dos outros, mas no sentido de se conhecer. Olhar para si no sentido de se questionar, de se investigar.

Sabe... meus amigos são tudo, mas não são eu. E só cabe a mim cuidar de ser feliz. 

segunda-feira, janeiro 29

Sombra...arbmoS

Um dia, se minha sombra me deixar, eu não mais serei o mesmo.
Serei a esmo.
Serei só.
Serei sombra do que fui.
Andarei sem deixar rastros que me acompanham, sem deixar pegadas que flutuam.
A sombra me lembra da morte.
Ao mesmo tempo estou de pé e ensaio o meu deitar sombrio.
Mas se a perder, nada me lembrará a situação derradeira, e nada me lembrará que é a luz que dá sentido, que é a luz que contorna, que identifica.
E serei só, porque serei só o presente. Sem sombra de qualquer passado, de qualquer futuro, de qualquer impermanência.
Mas não desligarás nunca de mim, mesmo que estejas ligada por poucos pontos no teu vagar sombrio.


Algum dia claro e sombrio (só há sombras onde há claridade) de 2006

domingo, janeiro 7

Por incrível que pareça, escrito de sábado pra domindo, as 2:40 da manhã, por conta da matéria de cinema, da teoria neo-realista. Eles dizem que história pode ser supérfluo, pode-se fazer um filme apenas sobre um pequeno acidente, explorando as diversas facetas humanas, morais e estéticas dele. Aí resolvi fzer um teste. Não pensei em nada. Escrevi o começo "Aquele instante se desprendeu" e daí fui escrevendo de acordo com a lógica q ia surgindo. Enfim. Mais um exercício. Vou fazer mais desses.

Aquele instante se desprendeu do tempo como uma folha arrancada da árvore por uma ventania de inverno. Dei um passo em sua direção e olhando para o lago de sua alma, vi-me refletido, disforme embora. O vento sobre as águas, sincronizado com minhas expirações, fazia sentir-me integrado a sua vida, como duas ondas que se encontram, para nunca mais se poderem distinguir. Mais um passo para me encontrar a ponto de precipitar-me sobre a água de teus sentimentos, quando tua voz, embargada pelo peso da sua história, soprou-me longe, sustendo-me no meu próprio mundo mais alguns momentos. Tenho medo. Fazendo uma força apenas possível quando imaginei que cada músculo era uma corda que eu puxava ouvindo o amor sussurrar palavras de motivação em meus ouvidos, aproximei-me novamente. A sua simples presença inconteste, fez minha voz ficar ausente. Não sei quanto tempo, mas de repente percebi que já não respirava. Era como se tudo houvesse parado, o mundo, as ondas, nós dois. E então respirei. Olhei para mim em seus olhos, e essa simples remissão me fez tremer, nas pernas já não havia força bastante para segurar o peso da eternidade. Não tenha medo. E nossos olhos se fecharam juntos, não vi. Não se fecha os olhos, mas sim passa-se a olhar pra dentro. E dentro só podia ver a você, e você, só a mim. Nós nos olhamos, interiormente, e nos aproximamos. Foi quando dentro de cada um nossos dedos se tocaram... Todo um abismo que nos separava fora suplantado por atividade ígnea sempre proporcional àquela acontecida no coração dos amantes. Dois passos nos separavam, embora já nos encontrássemos juntos em outro plano. Aproximei-me o que me cabia. Olhei em seus olhos. Silêncio. Ouvi uma gota de orvalho escorregar de uma folha aos meus pés, raspando em suas pequenas ondulações e com um pequeno estrondo chegar ao solo. Silêncio. Nossa respiração, nossos corações. Um passo, basta um passo. Fechei os olhos. Barulho. Um passo! Para onde? Para trás? Para mim? Silêncio. Calor. Nossos corações se encostam. O meu falha uma batida. Apenas para seguirem juntos. Como um só. Pela eternidade.