quinta-feira, novembro 10

Caminho, Verdade e Vida (quem ler tudo ::ganha:: uma bala)

Interessante pensar que a vida não é uma só. O mundo não é um só.

Excetuando-se as concepções reflexivistas e todas mais que renegam a existência de uma realidade, podemos fazer alguns exercícios criativos.

Cada um de nós é uma lente, que distorce a realidade. Não há ninguém que veja a realidade, pois ela é construída pelo próprio exercício de enxergar o mundo. Criamos a cada momento. Exemplos:

E se o juiz de um jogo de futebol apitasse, mostrasse o cartão vermelho e mesmo ninguém fizesse nada? De repente, o jogador no meio do campo pega a bola com as mãos, sai correndo e entra no gol do adversário. Depois disso, todos começam a tocar com as mãos na bola, o juiz apita, desesperado. Ninguém reclama, ninguém estranha.

O que faz o juiz? Tenta manter uma ordem que é, sobretudo, fruto de um consenso (nem sempre consciente).

Se, de repente, os guardas não obedecessem mais aos juizes e aos mandados, e se, durante uma guerra, todos abaixassem as armas e ficassem jogando baralho. Tudo é fruto de uma ordem consensual (inconsciente ou não, repito), sobre a qual nem é muito interessante fazer muitas conjecturas.

Tudo bem, o Estado de Natureza (como seriam os homens antes da existência de um Estado) pode existir de várias formas: seja a guerra de todos contra todos de Hobbes, seja o bom selvagem de Rousseau. A questão é que construímos a sociedade da forma que queremos. As línguas que falamos foram construídas coletivamente, ao longo dos anos. Nada é porque é. Tudo poderia ser diferente (não digo que deva ser, apenas “poderia” ser). Quem disse que a única lógica existente é a do trabalho/remuneração, quem disse que a única lógica é a da propriedade privada? Quem disse que a única lógica lingüística (e já se prova que não é) é a de falar sujeito/verbo/predicado, ou que deva ter nas línguas as construções que conhecemos?

Achamos as coisas normais, como se existisse algo essencialmente normal. Isso só pode ser considerado para nós: isso é normal para mim, é comum para mim. É normal comer língua de boi, orelha de porco, no feijão? É normal comer formiga dentro de bombom? Porque essa cara? É normal comer camarão, que tem aquelas patinhas e fica nadando na água salgada, e tem casca de quitina (quitina mesmo?), mas não é normal comer uma formiguinha no bombom? Construção social e ambiente têm um papel importante em nossa vida. Não é a toa que os antropólogos dizem que o pesquisador deve estranhar o próximo e aproximar o distante.

Acontece que Rousseau disse muito bem: o primeiro que cercou um pedaço de terra e disse “é meu”, e achou pessoas suficientemente ingênuas para acreditar, fundou a propriedade privada. Antes disso a terra era coletiva, como o é para os índios.

Quantas concepções do mundo poderiam haver? Cada pessoa é um mundo. Seis bilhões de mundos. A estrutura, a sociedade, Durkheim diria, não é apenas a soma das unidades. Quando 6 bilhões de pessoas se juntam, não é simplesmente um mundo de 6 bilhões de pessoas. Quando essas pessoas se juntam, formam algo muito maior e mais intenso que a soma dessas unidades. Seis bilhões de concepções, seis bilhões de mundos e suas interações. É a vida em movimento. Agora, enquanto você lê esta linha, a vida acontece. Pessoas dormem, acordam, choram, morrem, nascem. Coçam o polegar do pé direito, trocam o grafite da lapiseira, digitam em uma máquina de escrever, consolam, gritam, gritam de amor, de dor. A vida acontece simultaneamente em cada filigrana.

Não é a toa que eu, enquanto criança, desesperado e esmagado por essa profusão de acontecimentos, cheguei a pensar em duas teorias: Teoria da Simultaneidade e Teoria do Egoísmo Natural. A segunda dizia que as pessoas eram egoístas naturalmente pelo fato de saberem, inconscientemente, que todo o mundo trabalha para que ela viva. Que tudo está escorado por pessoas desconhecidas, para que ela possa ter suas necessidades supridas. A primeira dizia que era impossível que tudo acontecesse ao mesmo tempo. Que era impossível que milhares, milhões, milhares de milhões de pessoas vivessem simultaneamente. Como isso me era inconcebível, bebi do nome de uma teoria quântica em inglês – só do nome – pra criar a teoria: as coisas só acontecem enquanto vemos. Não existe uma china, até que eu queira ir para lá. Não existe uma mulher de 34 anos colhendo o mineral que fará o grafite da minha lapiseira, até que eu precise disso. Filosoficamente poderíamos até extrapolar e arranjar uma lógica para minhas argumentações, mas quando escrevi a teoria quis dizer que as coisas não existiam “fisicamente”. Não existiria uma China física, não existiria Vênus, até que eu olhasse em sua direção. Fisicamente, não filosoficamente! O nome da teoria quântica era “Is the moon there when nobody looks?”. Está a lua lá enquanto ninguém olha? Como vou saber.

O fato é que as coisas estão, não são. Estamos em uma sociedade construída nos moldes que conhecemos, e, fato é, que não conseguimos nunca imaginar algo muito diferente do que conhecemos. Não conseguiríamos imaginar a internet, NUNCA, enquanto não tivéssemos computadores. Antes isso era impossível. Pense só. Computador! Como isso surgiu? Surgiu baseado em máquinas de escrever, máquinas de escrever eletrônicas, computadores imensos, de andares, que faziam cálculos de calculadoras... E se não tivéssemos inventado as calculadoras? Ninguém imaginaria a calculadora, enquanto não tivéssemos necessidade de fazer contas, o ábaco oriental... As coisas são resultado do somatório das aquisições da sociedade. Desde a escrita a sociedade passou de uma fase de tempo circular, do eterno retorno (Pierre Levy) para outra de tempo linear. A escrita e a agricultura têm algo em comum, e que tem a ver muitíssimo com a noção de tempo linear, que não volta: enquanto antes da escrita os mitos eram contados e recontados pelos mais velhos, em um eterno retorno, com a escrita o conhecimento pôde se tornar emancipado da memória e do tempo de vida útil dos seres humanos. A escrita legou o conhecimento ao futuro, e exigiu das pessoas a capacidade de postergar. Assim como a agricultura: quando se planta esperando que a semente vire uma planta e depois dê os frutos que usaremos para nossa alimentação, estamos condicionando nossa existência ao fato de conhecermos a ação de delegar algo ao futuro, que chegará, basta esperar. Acreditar que de um pedaço de um milímetro cúbico vai nascer, bastando que eu a enfie num chão marrom e úmido, uma árvore que me dará alimento, é um exercício incrível de fé, no qual o homem se lança para a agricultura.

Fé. Depois desmerecem isso. Se o homem não tivesse fé sem razão àquela época, não teríamos chegado onde estamos. Imagina o homem que, pegando a semente dissesse: não é possível que isso nasça! É inconcebível que de uma coisa tão pequena nasça uma árvore tão grande. Essa semente não pode conter tudo que formará as árvores, pois eu cortei-a pela metade e não vi as folhas, eu não vi os galhos, as raízes. De onde isso pode surgir com o tempo? Essa semente não funciona. É mistificação. É fé. É crer em algo não provado. Vou continuar caçando e sendo nômade até ter uma explicação.

O homem simplemente percebeu que, onde se alimentavam dos frutos e jogavam as sementes fora, as árvores surgiam melhor. Nada mais fizeram do que repetir ação (não de maneira tão simplória como conto) e perceber que aquilo dava um certo resultado. Pronto!

Mas esse post de 4 páginas do Word começou por outro motivo, totalmente diferente, aliás. Cada um de nós é uma lente, que distorce a realidade, lembra? Distorcemos e construímos, para nós e para os outros. Mas aí vem o pensamento: se existem 6 bilhões de mundos no mundo, porque alguns gostam tanto de dizer que o deus dos judeus é o deus dos muçulmanos e é o deus dos espíritas e dos católicos?

Arriscaria dizer que nenhum espírita pensa em deus da mesma forma, nenhum protestante vê deus com a mesma imagem mental. E isso, que já é próprio de todas as coisas (o que é amor pra você? O que é um rio encontrando o mar pra você? Qual a imagem que você tem? É semelhante a minha?), em Deus fica mais patente ainda.

Não é a toa que Descartes, que negou todas as coisas para poder repensa-las, e tendo negado até Deus, concluiu mais tarde que Deus deveria existir. É uma imagem tão superior ao próprio homem, é uma figura tão mais sublime que nós mesmos, que o homem não poderia ser o gerador dessa crença. Alguma idéia inata deveria existir.

Enfim, como milhões de católicos podem crer em um mesmo deus se eles não pensam da mesma forma nem quando lêem a palavra “porta”. Uma porta vermelha? Azul? Grande, transparente? De madeira? Vidro?

Deus não cabe no pensamento humano. Rohden diria: o infinito seria o infinito se circunscrito? Deus seria deus se em nossa inteligência coubesse? Tente raciocinar sobre Deus. Nossa mente dá um nó até quando pensamos sobre física quântica, quando pensamos sobre genética avançada, quando pensamos em matemática avançada, e exigimos que seja fácil entender Deus. Aliás, cabe uma pergunta: se fosse fácil entender Deus, isto iria colaborar ou ir de encontro a lógica da existência de Deus? Se a idéia de Deus fosse banal e a todos absolutamente desvendável, isso viria provar de vez, que deus existe, ou, ao contrário, iria convencer-nos de que não passa de uma invenção social?

Cinco páginas. Esse post está fragmentadíssimo. Nem terei paciência de reler. E poucos terão de ler. Um dia reescrevo este texto. Deve estar cheio de erro de digitação. Peço desculpas pela texto prolixo e desconexo e sem objetivo.

Apenas elucubrações.

Até.

quarta-feira, novembro 2

Porque será?

(poeminha de rimas pobres e sentimentos ídem)

Não entendo o coração aberto
Que por esta razão se deixa
Contaminar pela Angústia.
Quando se olha de perto
Dando espaço a esta queixa,
Percebemos que a angústia
Toma conta do peito.
Ela vem bem sorrateira
Vai tomando seu lugar...
Não sei se por defeito, ou
Se por inconsciência queira
A alma se martirizar.
Se por algo feito,
Se pelo muito filosofar,
enfim, porque a alma
deixa a angústia entrar?
O certo é manter a calma
E dum momento em diante
Olhar pro céu e acreditar.

- Vinícius, 02/11/2005 -

domingo, setembro 4

Penso, logo...

Complete a frase acima... Vamos colocar alternativas:

“Penso, logo...”

a. canso
b. existo
c. entro em parafusos
d. sou
e. nenhuma das anteriores

Tudo bem. Não é tão livre assim a sua resposta. Quero que você complete a frase como a teria escrito o René Descartes.

Se você marcou a letra B você errou. Pois é, a letra B não é a certa. Pode até ser que seu professor do cursinho, aquela sua professora de filosofia do terceiro ano ou aquele tio culto que todo mundo tem tenha te ensinado: “Penso, logo existo”. Mas na verdade, não é bem assim.

O grande pensador partiu de uma premissa incontestável: penso. Daí concluiu: ergo sum.

Mas a coisa não é tão simples. O tradutor, como pondera Nilson Lage, para não cometer o que considerava uma heresia, não foi fiel ao conteúdo original. Como diz aquele adágio italiano, tradutore, traditore (tradutor, traidor). No latim era “Cogito ergo sum”; para o francês traduziu-se “Je pense, donc je suis”, para o inglês “I think, therefore I am”.

A última coisa, porém, que Descartes queria dizer com essa frase, em seu “Discurso do Método”, era que nós existíamos pois pensávamos. O candidato que, por chute ou destreza, marcou a letra “d” (sou), se deu melhor.

“Penso, logo sou”. Sou... pois esse verbo não pressupõe temporalidade, pelo contrário, é anacrônico, extemporâneo. Ao contrário de estou, ao contrário de existo. Ninguém, em sã consciência, poderia ligar o fato de pensarmos ao de existirmos. As plantas existem, as impressoras, as flores, os carros, o petróleo. Penso, logo sou. Entretanto, só a Deus era cabível a utilização do verbo Ser. Só Deus era. Mais ninguém. À época o tradutor preferiu não entrar em embate com a Santa Igreja e com aquilo que lhe fora ensinado, ou em verdade, tenha preferido não precisar reconstruir todo seu entendimento de mundo assentado.

Como diz o físico Dahoni, por vezes é mais fácil adaptar as evidências às nossas teorias do que modificar nossa maneira de ver o mundo.

Pela tradução incorreta, incoerente, infiel ao que o pensador havia desejado dizer, foi possível para Jacques Lacan fazer um alerta. Utilizando-se de um jogo de palavras ele teria dito, em diálogo com a frase “Penso, logo existo”: “Não! Penso onde não existo, logo existo onde não penso.”

A era do inconsciente ajuda a entender essa questão. Como nos é ensinado por Freud, a consciência é como a ponta do iceberg. Seríamos mais inconsciência do que consciência (mais inconsistência, pra aproveitar a parecida sonoridade). Penso onde não existo (na inconsciência, no que me é inacessível da maneira tradicional), logo existo onde não penso (existo, na verdade, na inconsciência. A ponta do iceberg não pode ser tomada pelo iceberg.).

Enfim, a última citação que lembro é de Immanuel Kant, o grande pensador e homem sistemático, que tem uma interessante assertiva acerca do pensamento, mais precisamente sobre a razão. Ele diz algo do gênero: se alguém tentasse provar a falência da razão, objetivasse desqualificar a razão como meio mais eficiente de elucubrar o mundo, não lograria êxito, pois que seria necessário, para tal, de utilizar-se da própria razão.

E aí: você existe porque pensa, pensa porque existe, pensa onde não existe, existe onde não pensa, é porque pensa ou é porque pensa e existe onde não pensa? Essas perguntas foram mais complexas que a inicial, concordo. Mas afinal, você é? Como sabe? Quem disse? Porque?

sexta-feira, agosto 19

Me irrito com a Academia!

A Academia - não a de malhação, mas a Academia no sentido histórico, como o lugar do saber - sempre me irritou. Seja por sua pretensão de ser a portadora da verdade, seja por sua unânime proficiência em excluir e alienar - sim, alienar. Os "cientistas" não fazem mais do que atos de fé cotidiana ( como diz o Huberto Rohden).

Mas enquanto estava fazendo Comunicação (Jornalismo) na UFJF a coisa era mais leve, afinal, era um curso fundamentalmente literário. Não! Não é isso! Estou amando o curso de Relações Internacionais da PUC Minas. Mas o fato é que não sei se terei muita paciência em lidar cmo tanta burocracia. Aff... Tenho que escrever uma carta de apresentação pra seleção de VOLUNTÁRIO do Mini-Onu (http://www3.pucminas.br/mini-onu/6_edicao/), até aí tudo bem. Mas não posso escrever como eu gostaria. Aí seguem as duas versões. Primeiro aquela que escrevi, em 15 minutos, e que não poderei entregar. A seguir a outra, que demorei quase hora e não fiquei satisfeito. É a vida...

No fim das contas, na segunda versão menos literária, ainda assim tentei permanecer no limite teórico de uma escrita literária para uma escrita burocrática. Algumas vezes resvalei na literatura, em outras em uma falação de mim mesmo pra lá de burocrática e bem perto do que é a Universidade em qualquer país do mundo. Nunca nos pedem pra falar sobre a natureza, sobre como enxergamos o mundo, ou pra descrever uma tarde de verão. Estão sempre querendo que falemos sobre nós, sobre como podemos contribuir ou sobre nossa história acadêmica. Aff (o segundo já).

Carta de Apresentação

Gostaria de poder me definir como Drummond, e dizer algo poético, singular, como certa feita disse o poeta: “tenho apenas duas mãos e o sentimento do mundo”. Mas não me é possível. Se, de fato, houvesse em mim todas as dores, todas as felicidades, todos as vírgulas e reticências de um mundo como o nosso, sequer estaria aqui escrevendo um texto cuja busca prioritária é a de conquistar uma vaga em um modelo de simulação de uma organização internacional. Tenho apenas duas mãos, sim, mas no que diz respeito ao sentimento do mundo...

Talvez o Mini-Onu possa colaborar para que meus olhos e meus sentidos se abram a fim de compreender um mundo tão repleto de antagonismos, pois o primeiro passo para sentir o mundo é entender o mundo. Viver o mundo. Mesmo que mini, um mundo muito mais amplo do que aquele que estamos acostumados a viver cotidianamente.

Tenho 19 anos e desde os 15 sabia que o curso que deveria seguir era o de Relações Internacionais. Fiz 2 períodos e alguns meses de Comunicação Social na UFJF, e, a despeito de não ser o curso que sempre quis, empenhei-me totalmente nas atividades oferecidas. Virei bolsista no começo do segundo período e em 3 meses publicava um artigo sobre os subtextos ideológicos dos discursos eleitorais em um Encontro Regional de Comunicação.

Interrompi diversas atividades na UFJF, como a gestão do Diretório Acadêmico Wladimir Herzog, a bolsa já citada e o PET (Programa Especial de Treinamento, uma bolsa do Sesu/MEC, cujos estudantes contemplados participam até o fim da faculdade, e cujo objetivo é escrever um artigo por semestre e participar de módulos com conteúdos que não seriam vistos na graduação). Tudo movido por uma força que existe quando sabemos para onde queremos ir, e onde podemos chegar. Tenho certeza que podem haver, e haverão, candidatos muito melhores do que eu. Mas saibam, serão raros aqueles que levarão o curso com mais responsabilidade. Durante os próximos quatro anos - em especial -, o curso de Relações Internacionais será meu projeto de vida.

Ao Mini-Onu e ao voluntariado ao qual concorro, ofereço muita disposição e incansável desejo de aprender. Ofereço prestatividade e boa-vontade, pois que demasiado conhecimento não posso disponibilizar. Desejo em especial, participar como Voluntário Asministrativo. Se, entretanto, não for possível alocar-me nesta função, gostaria de poder colaborar em alguma outra atividade do evento.

Sem mais,

Vinícius Barbosa Diniz


E a versão tecnocrática-escorregadia-pseudo-verdadeira-hipócrita-e-racional (como alguém pode se apresentar assim?):



Carta de Apresentação

Nasci no dia 31 de Julho de 1986, ano de tragédias, como o acidente em Chernobyl, e de esperanças devidas à redemocratização do Brasil. Fui uma criança cheia de “porquês”. Isso, talvez, tenha me ajudado a chegar ao curso de Relações Internacionais da PUC Minas.

Aos 17 entrei no curso de Jornalismo da Universidade Federal de Juiz de Fora, tendo cursado 3 períodos. Já havia decidido, desde os 15 anos, que deveria cursar Relações Internacionais, e o fiz assim que a oportunidade surgiu, apenas há poucos meses. Não tenho dúvida de que o fato de ter trancado um excelente curso para fazer Relações Internacionais me serve de motivação extra. Meu projeto de vida, nos próximos quatro anos, é, prioritariamente, o curso de RI da PUC.

Agora, com 19 anos e no primeiro período, tenho cada vez mais certeza de que fiz a escolha certa. Tudo aquilo que assumo como tarefa, também considero como um compromisso íntimo. Em todos os momentos da minha caminhada – acadêmica ou pessoal – procuro me esforçar ao máximo e fazer tudo com boa vontade.

É isso que ofereço ao Mini-Onu: não tenho conhecimentos extensos nem sequer participei de edições anteriores. Mas me comprometo com o ideal por detrás desta simulação e, sobretudo, me comprometo a trabalhar arduamente para que o Mini-Onu possa crescer pelo esforço de todos.

A priori ficaria satisfeito em ser alocado no setor administrativo, por ser o que mais me chamou a atenção. Entretanto, minha intenção maior é participar e aprender com o Mini-Onu. Caso não lhes seja possível minha colocação junto ao Administrativo, agradeceria se fosse redirecionado à outra esfera de participação.

Grato pela atenção,

Vinícius Barbosa Diniz

quarta-feira, julho 20

DAS SEPARAÇÕES

Drummond diz em um texto que se fosse Deus baixaria um decreto: Mãe não morre nunca. Se eu fosse Deus também faria uma lei – mesmo que para Deus essa temporalidade não seja nada, poetizar é preciso -, tal qual:

DAS SEPARAÇÕES

Dispõe sobre a separação etc.

Artigo Único, pois que Deus é perfeito, conciso, e nem um pouco afeito a ambigüidades: Fica vedado às pessoas que se queiram bem, qualquer forma de separação que seja superior ao que lhes é possível suportar antes de derramarem a terceira lágrima.

Redundância: Esta Lei entrará em vigor na data de sua publicação, revogando-se todas as disposições em contrário.

TIPOS DE SEPARAÇÃO

Visto não ter possibilidade de escrever sobre separações – meu repertório acabou nos últimos 2 textos –, bebo da fonte de um dos meus maiores parceiros literários (cof cof cof), Vinícius de Moraes:

<< Separação entre Amigos >>

E eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos! Até mesmo aqueles que não percebem o quanto são meus amigos e o quanto minha vida depende de suas existências…
(...)
Se um deles morrer, eu ficarei torto para um lado. Se todos eles morrerem, eu desabo! Por isso é que, sem que eles saibam, eu rezo pela vida deles. E me envergonho, porque essa minha prece é, em síntese, dirigida ao meu bem estar. Ela é, talvez, fruto do meu egoísmo.(1)


<< Separação entre Amantes >>

Meus amigos, se durante meu recesso virem por acaso passar a minha amada
peçam silêncio geral.
Depois apontem para o infinito.
Ela deve ir como uma sonâmbula, envolta numa aura de tristeza, pois seus olhos só verão a minha ausência.(2)


Não poderia me furtar a outro exemplo:

(...) Fechou os olhos, tentando adiantar-se à agonia do momento, mas o fato de sabê-la ali ao lado, e dele separada por imperativos categóricos de suas vidas, não lhe dava forças para desprender-se dela. Sabia que era aquela a sua amada, por quem esperara desde sempre e que por muitos anos buscara em cada mulher, na mais terrível e dolorosa busca. Sabia, também, que o primeiro passo que desse colocaria em movimento sua máquina de viver e ele teria, mesmo como um autômato, de sair, andar, fazer coisas, distanciar-se dela cada vez mais, cada vez mais. E no entanto ali estava, a poucos passos, sua forma feminina que não era nenhuma outra forma feminina, mas a dela, a mulher amada, aquela que ele abençoara com os seus beijos e agasalhara nos instantes do amor de seus corpos. Tentou imaginá-la em sua dolorosa mudez, já envolta em seu espaço próprio, perdida em suas cogitações próprias - um ser desligado dele pelo limite existente entre todas as coisas criadas.
De súbito, sentindo que ia explodir em lágrimas, correu para a rua e pôs-se a andar sem saber para onde...(3)


<< Separação pela “morte” >>

A morte chegou pelo interurbano em longas espirais metálicas.
Era de madrugada. Ouvi a voz de minha mãe, viúva.
De repente não tinha pai.
No escuro de minha casa em Los Angeles procurei recompor tua lembrança
Depois de tanta ausência. Fragmentos da infância
Boiaram do mar de minhas lágrimas.(4)


<< Separação da Pátria – O Exílio >>

A minha pátria é como se não fosse, é íntima
Doçura e vontade de chorar; uma criança dormindo
É minha pátria. Por isso, no exílio
Assistindo dormir meu filho
Choro de saudades de minha pátria.
(...)
Ah, pátria minha, lembra-me uma noite no Maine, Nova Inglaterra
Quando tudo passou a ser infinito e nada terra
E eu vi alfa e beta de Centauro escalarem o monte até o céu
Muitos me surpreenderam parado no campo sem luz
À espera de ver surgir a Cruz do Sul
Que eu sabia, mas amanheceu... (...)(5)


E pra quem não sabe qual separação lhe espera, leia o Soneto da Separação...

quarta-feira, junho 22

Está chegando a hora...

(LEIA E COMENTE O DE BAIXO TAMBÉM, são ambos meio que de despedida - não do blog. É que estou de mudança. E comentem direitinho, pois quando der saudade, vou ler os comments - chantagem?)

É. Eu tenho medo. Tenho medo do que vou encontrar, pois acho difícil ser melhor do que aquilo que tenho agora.

É. Tenho medo. Tenho medo de recomeçar, mesmo sabendo o quanto isso é indispensável e que vale a pena, no fundo vale.

Tenho medo porque é difícil que o dado caia no número 6 várias vezes seguidas. E isso já aconteceu um bocado de vezes. Será que não estará na hora de aparecer o número UM ou o DOIS?

Medo... de nunca encontrar pessoas como as que encontrei em Juiz de Fora, principalmente no movimento espírita, ao qual não poderei me dedicar tanto.

Entretanto, carrego comigo a certeza de que a amizade é mesmo uma coisa tremenda. Carrego comigo a prova concreta – e que queima em mim pela saudade antecipada – de que vale a pena amar as pessoas.

É. Tenho certeza de que dará certo. De que seguindo aquilo que creio mais correto para mim e para os outros é possível ser feliz de novo e de novo. Sempre.

É. Dará tudo certo. Dará certo porque, independente da distância, sempre terei amigos me esperando para qualquer momento menos feliz e também – e principalmente - para os de extrema e harmônica compreensão do mundo.

Dará tudo certo porque insistirei em ser eu mesmo, e não ligarei para aquilo que os outros esperam que eu seja. Estarei feliz comigo mesmo, portanto feliz com o mundo.

Medo... Certeza... Tudo estará encaminhado ao cabo de alguns meses. Dificuldades estarão me esperando de braços abertos, muitas... Mas eu estarei convicto de que basta-nos atitude para que elas se transformem em auxiliares de nossa própria construção.

Sairei disso tudo mais maduro, mais seguro, mas nunca poderei esquecer as amizades que conquistei. Mesmo se quisesse – e não quero! -, pois amizades verdadeiras são sempre inesquecíveis.

terça-feira, junho 21

Meu Ar

Em 3 dias tomei uma decisão que mudou minha vida. Decidi pelo mais difícil, decidi pelo obscuro, decidi pelo incerto; decidi pelo que, a longo prazo, me faria mais feliz. Mas paguei um preço, alto, muito alto.

Corri atrás daquilo que julgo ser meu futuro mais adequado. Tranquei uma federal e fiz 2 meses de cursinho para uma particular. Tranquei jornalismo na UFJF e estou partindo pra Relações Internacionais na PUC MG.

Porque, como, onde? não sei. Sei que deixo para trás – sem os perder – amigos que me fizeram a pessoa mais feliz do mundo. Deixo em Juiz de Fora uma vida mil vezes melhor do que mereço. Deixo amigos aos montes, sim, amigos. Pessoas que eu amo, pessoas que eu admiro, pessoas que me fazem ter vontade de chorar sempre que me lembro da distância que se aproxima.

Aquela tristeza que um filho sente ao ser deixado pela mãe, pela primeira vez, numa creche. “Ela não vai voltar”. Ela sempre volta, mas a tristeza daquele momento inicial, o momento da despedida, o momento em que as mãos se separam dando espaço ao tremendo abismo da saudade, aquele momento é cruel.

Mesmo que a presença física não seja atributo indispensável da amizade, ela faz falta naqueles que vêem nos amigos a força a continuar. Quando se ama a vida que tem, e, entretanto, é irremediável a mudança, tudo fica nublado. A tarde azul de verão cede espaço a tristeza de saber que estou deixando tanta gente imprescindível a mim.

É como se soubesse que estarei deixando o ar puro da floresta em direção ao caos climático da cidade grande. É isso... amigos são meu ar puro.

Saber que precisarei recomeçar e construir novas amizades, e o medo de que nunca mais consiga uma vida tão feliz como a que estou deixando, me deixa triste. Triste e satisfeito. Se consegui uma vez angariar tantas pessoas das quais jamais me esquecerei, não será tão difícil conseguir novamente. Tomara.

sábado, maio 21

.:: Filosofia barata ::. (metade ficção, metade realidade)

Desci na rodoviária sentindo algo que não era comum. Olhei em volta e lembrei-me daquela estação do filme “Central do Brasil” na qual o garoto fica sozinho, com as pernas encolhidas, fechado em si e chorando, enquanto os trens apitavam. Eu sei, eu sei... é exagero meu. Mas parecia aquilo, mesmo sem um motivo concreto para tal digressão.

O silêncio era irritante, porque rasgava a noite, impunha lembranças. Aquelas pessoas dormindo nas cadeiras, as malas de um lado, as memórias paradas do outro, a eternidade da noite fora de casa prostrada em pé ao lado de cada um deles... Olhei o relógio. Meu ônibus não tardaria.

No encalço da noite ia todo tipo de desilusão: amada pelos poetas, freqüentada pelos bêbados, meio de vida dos profissionais liberais mais liberais do mundo. Na maioria das vezes a história começava em uma rodoviária e tinha a noite como testemunha. No terceiro banco à esquerda ouvi alguém engolindo os pensamentos. Não entendi muito bem, por não possuir a capacidade – graças a Deus! – de conhecer a casa mental alheia. Distraí-me, conferindo as horas, até que minha atenção foi novamente convocada, dessa vez por um ruído mais alto. O homem fazia sons parecidos com aqueles que as crianças produzem quando o choro acaba e o soluço continua. Abriu as mãos que antes jaziam espalmadas, por onde vi algumas moedas brilharem. Nada que fosse superior a 1 mísero real. Fechou as mãos, em seguida, e, com outro soluço, enclausurou-se em si mesmo.

A solidão talvez seja o mais cruel dos sentimentos. Eu tinha um destino, isso me diferenciava da maioria daqueles que esperavam um não-sei-o-quê, vir de não-sei-onde. Tinha uma meta: aquela rodoviária era um meio, não um fim. Olhava para aqueles que estavam perto de mim; tentava adivinhar, que arrogância, a vida de cada um. Traçar algum aspecto que os ligasse, criar uma justificativa íntima acerca da razão pela qual aquelas pessoas me pareciam tão soturnas. No silêncio apenas o que chama atenção é o barulho. O movimento já não importa muito. Um estrondo, vindo de algum lugar atrás de mim fez com que eu me virasse, sem pressa. Uma senhora, de uns 67 anos, baixinha, carregando uma bolsa quase do seu tamanho, havia deixado alguns pertences caírem. Seu olhar parecia-me perdido, sem porquê, como que existindo por existir. Pegou a sacola que caíra, olhou para as cadeiras, contou da ponta até chegar no sétimo banco e sentou-se. Tirou da bolsa um travesseiro bem grande e uma coberta. Começou a se ajeitar cuidadosa, sistemática.

Comecei a andar em direção a escada que levava à plataforma de embarque. Não consegui deslocar os olhos da senhora. Mais uma vez os ruídos. Meu tênis, raspando naquele chão sintecado, soltou um assovio que ecoou por todo o saguão. A senhora olhou para mim e sorriu. E sorriu.

Ao embarcar levei o estorvo daqueles que enxergam em si a morte dos outros, mesmo que uma morte social. Deixei-o, porém, tão logo lembrei do sorriso da senhora, tão pleno, tão self-made, tão sem razão!

domingo, abril 24

IMPREVISTO

Não poderei fazer o podcast desta semana (www.entreaspas.podcastbrasil.com) , por motivos imprevistos. Não é um problema, pelo contrário, é uma solução - mas que demanda tempo.

Abraços, e até o próximo!

Não posso prometer um podcast sábado que vem também

Abraços!

Vinicius

(leia textos antigos do blog, para matar o tempo ;D )

segunda-feira, abril 18

"Eles estão chegando! Corram! Corram!"

"Eles estão chegando! Corram! Corram!" Terceiro Podcast

E, copiando o sistema de posts do Código Livre , eis a lista de conteúdo do segundo podcast!

(Peço desculpa pela qualidade do som, mas não sei o que há! Se é minha placa de som, o microfone, ou os dois... Vou ver se arranjo outro microfone. Alguém me indica uma marca ou um modelo que seja bom mesmo?)

NÃO PERCAM A PÉROLA que eu soltei no meio do podcast. Perguntei, sem o menor pudor, hehehehe, "quantos mortos haviam morrido". Ai ai ai! A idade!

- Abertura
- Comentários e Audiência: dos Emirados Árabes à União Européia
- Guerra dos Mundos: Orson Welles (1938)
- Eles estão chegando! São verdes! (Escute trechos do programa de 1938)
- Entrevista especial com o poeta Júlio Polidoro
- Despedida

E inscreva esse link http://entreaspas.podcastbrasil.com/ea.xml em se agregador de podcasts favorito!

segunda-feira, abril 11

Deus disse: faça-se a internet, e a internet se fez...

"E a internet se fez..." Segundo Podcast <- Clique aqui para baixar o arquivo de áudio.

E, copiando o sistema de posts do Código Livre , eis a lista de conteúdo do segundo podcast!

(Peço desculpa pela qualidade do som, mas não sei o que há! Se é minha placa de som, o microfone, ou os dois... Vou ver se arranjo outro microfone. Alguém me indica uma marca ou um modelo que seja bom mesmo? Agradeço ao ReiLagarto por ter melhorado o som do podcast anterior. Até meia noite o podcast 1 já estará com o "remix" [hehehe] feito pelo amigo ReiLagarto.)

- Abertura
- "Faça-se a luz" - A língua
- Logocentrismo
- Linguagem das Abelhas
- Poliglotas famosos!
- Reforma Gráfica do "Jornal do Brasil"
- Teorias da Comunicação: que toquem os sinos!
- O Esperanto: www.cursodeesperanto.com.br
- Propedêutica?
- Poema e Cia: "Mil Bolinhas de Gude"

E inscreva esse link http://entreaspas.podcastbrasil.com/ea.xml em se agregador de podcasts favorito!

ENTRE NO PODCAST e coloque-o no seu FAVORITOS: www.entreaspas.podcastbrasil.com

quarta-feira, abril 6

Meu Podcast!

Pessoas!

Eis que, vendo o site do terra, me desponta a novidade do momento: os podcasts.

Resolvi, afinal, fazer o meu!

Como estou sem tempo, aproveitei pra treinar um pouco de edição de som enquanto fazia o podcast. Embora não tenha ficado 100%, melhora com tempo!

Pra quem não sabe o que é podcast, é uma espécia de áudio-blog...

Confiram!

E, copiando o sistema de posts do Código Livre , eis a lista de conteúdo do Podcast de Estréia!

- Abertura
- Podcast? www.eupodo.com.br
- "Controle da Opinião Pública - Um Ensaio Sobre a Verdade Conveniente", Nilson lage
- O Primeiro Jornal do Mundo
- Os Folhetins
- Charles Dickens e "O Mistério de Edwin Drood"
- Aghata Christie - "Os Treze Problemas"
- O Poeta "Júlio Polidoro" [dois poemas]
- Hora certa pra se ler: "Anjos e Demônios" (Dan Brown)
- Outra opção: "A Caçada ao Outubro Vermelho" (Tom Clancy)
- Contato: viniciusdiniz@gmail.com
- Despedida


www.entreaspas.podcastbrasil.com

Façam o download do podcast1 (em mp3) e me ouçam!

bjs

Vinicius

(desculpem-me aos amigos que tem blog, e dos quais estou sumido! acabei de chegar da aula.... to em aula desde 8 da manhã! e já são 11 e meia da noite!)

sexta-feira, abril 1

“Mas onde a porta por detrás da porta?*”

Não vale a leitura pra quem não se interessar em Lingüística. O texto fala sobre Ferdinand de Saussure e suas quatro dicotomias (Sintagma/Paradigma, Significante/Significado, Língua/Fala e Diacronia/Sincronia); foi preparado para a matéria Redação em Língua Portuguesa III, baseado no livro "Introdução à Lingüística, VOL I", do FIORIN. O capítulo em questão é do Pietroforte. Quem não for ler [o que será MAIS que normal] deixa um recado! :)
Té mais!
Vinicius


<< Faculdade de Comunicação Social - UFJF >>

Resenha "A língua como objeto da Lingüística"
Redação em Língua Portuguesa III
Profa. Dina Amara

---xXx---

“Mas onde a porta por detrás da porta?*”

persigo, da fala, a plena expressão
da sala nunca aberta, o corredor
que nos conduza ao Verbo sem autor
e que traduza as coisas do porão.

mas como seduzir a sedução
e como, sendo ovelha, ser pastor,
se a fala, como falso condutor,
tem muitas e nenhuma direção?

Júlio Polidoro*, Outro Sol


O suíço Ferdinand de Saussure, se não pode ser considerado o iniciador da lingüística - afinal, o estudo das línguas é fato remoto, tem crédito suficiente para ser encarado como o seu sistematizador. Com a obra Curso de lingüística geral estabeleceu-se as bases para que o estudo das línguas fosse alçado à academia com o título de ciência.

Na obra, a genialidade de Saussure - que havia se dedicado ao estudo da física e da química, mas felizmente se rendera ao estudo da lingüística - transparece intensa, até mesmo por ser uma obra póstuma, publicada através de anotações de seus alunos em sala de aula. Saussure estabelece a "análise estruturalista" e quatro pares de conceitos dos quais a lingüística atualmente não prescindiria para seus estudos.

Esses quatro pares de conceitos são consensualmente chamados dicotomias, por serem definidos um em relação ao outro, e por não serem compreendidos de maneira fiel se estudados isoladamente. Daí temos sincronia e diacronia, língua e fala, significante e significado, paradigma e sintagma.

Após o lingüista suíço, diversos outros repensaram, ampliaram e refutaram suas idéias - como é indispensável a toda ciência amadurecida. Schaff (“Introdução à Semântica”) apresenta uma classificação ampliada dos signos; em “Prolegômeros a uma teoria da linguagem”, Hjelmslev propõe sua própria teoria dos signos e em "Ensaios Lingüísticos" ele repensa alguns conceitos saussureanos; André Martinet propõe a dupla articulação da linguagem, o que propicia maior compreensão de dois pontos: a priori das trocas paradigmáticas de unidades menores da língua (morfemas) e sintagmáticas da ordem das palavras e posteriormente da articulação de unidades desprovidas de sentido, tais como em nada, onde o fonema pode ser trocado dando origem a fada, cada e dada. E por sua vez também poderia articular-se a palavra nada em naja, napa, nata. Essa possibilidade de dupla articulação proporciona imensa economia lingüística, já que, partindo de sons finitos, chega-se a construções infinitas. Outro autor de grande importância na ampliação e na realocação de alguns conceitos de Saussure é Eugenio Coseriu. Ele propõe uma redefinição na dicotomia língua/fala, com a interpolação do conceito de norma. Segundo Coseriu, mais apropriado seria o uso da tríade língua X norma X fala, sendo que o conceito saussureano de língua sofreria algumas modificações. Também é do lingüista romeno a conceituação de quatro variantes lingüísticas: as diatópicas, as diástricas, as diafásicas e as diacrônicas.

A primeira das dicotomias saussureanas é a Sincronia versus Diacronia. Para entendê-la, nada melhor que remontar a origem dessas palavras: ambos os termos são gregos, sendo sincronia construído de syn "juntamente" e chrónos "tempo", significando "ao mesmo tempo", enquanto em diacronia parte-se de dia "através" e chrónos "tempo", significando "através do tempo". A lingüística diacrônica estudaria, pois, a língua e suas variações histórico-temporais, enquanto a lingüística sincrônica estuda a língua em um certo momento, sem importar sua evolução temporal. Não importa para a sincronia, por exemplo, que "caligrafia" tenha significado, em um certo tempo, "escrita bela", pois que, ao contrário da diacronia, aquela se preocupa com a língua isolada do seu processo de mudanças históricas.

Os conceitos de língua e fala são a segunda dicotomia do lingüista suíço. Para Saussure, a oposição desses dois conceitos se deve ao fato de a língua ser uma construção coletiva, enquanto a fala é uma propriedade individual. A primeira é definida como sistemática, enquanto a segunda como assistemática. Aí reside um fato interessante: a língua sendo um sistema, abre-se toda uma miríade de possibilidades analíticas, visto que sistema pressupõe inter-relação absoluta entre tudo na língua, justamente por um ponto se definir apenas pela existência dos outros. A importância desse conceito é o fato de que Saussure, através dele, estabelece o objeto de estudo da lingüística, ao afirmar que esta deve se preocupar apenas com a língua. Através dessa dicotomia chega-se à próxima, que, apesar de simples a primeira vista, possibilita novos entendimentos sobre muitos fatos. O primeiro deles é sobre a própria língua, que antes sendo vista como um catálogo de nomenclaturas, passa a ter uma relação que foge a essa entre "palavras" e "coisas", partindo para uma entre "imagens acústicas" e "conceitos". A dicotomia Significado versus Significante redefine a língua e a emancipa. Significante e significado, juntos, formam um signo, cujo estudo denominou-se "semiologia".

A quarta dicotomia levou o nome de Sintagma versus Paradigma e é facilmente entendida com alguns exemplos. Toda frase, segundo essa dicotomia - e não apenas frases, mas também palavras e até signos extra-lingüísticos (BARTHES, R.) -, possui dois eixos: um de seleção e outro de combinação. Na frase "Eu comprei um carro novo", há possibilidades combinatórias claras, tais como "Um carro novo eu comprei" (mudança de ordem das palavras) ou outras, como ao acrescentarmos novos termos à oração. Também há quase inumeráveis possibilidades seletivas, tais como: "eu / ele / tu / João / Dina - comprou / vendeu / roubou / explodiu - um / dois / três / muitos - carros / foguetes / caminhões - novos / velhos / antigos / raros". O eixo de seleção proposto pela relação paradigmática, corresponde às palavras que podem ocupar determinado ponto em uma sentença.

As contribuições de Ferdinand de Saussure são vastíssimas, e a lingüística não as tem obscurecido. Pelo contrário: tem evoluído pari passu com o passar dos anos, talvez por uma necessidade inata do ser humano. Afinal, conforme bem definiu Confúcio nos “Analetos”, sem conhecer a linguagem, não há como conhecer o homem.

terça-feira, março 22

Coisas que não devem ser ditas

É fato que algumas coisas devem ser evitadas, entretanto nos esquecemos disso, justamente por serem usadas em situações especiais. Como primeiro exemplo, cito o famoso "Meus pêsames" ou "Meus sentimentos". Sinceramente, um abraço é mais indicado. Não vale muito a pena dizer isso com palavras, talvez também o olhar soe mais verdadeiro.

Outra coisa importantíssima e que ocorre com todo mundo várias vezes por ano é dar os parabéns. Eu proibo todo mundo de dizer a mim e a qualquer outra pessoa: "continue sendo essa pessoa especial que você é" e sua variante "não mude nunca".

Também está vedado, mas agora quando se fala de mortos, a solene frase: "Ele era uma pessoa tão boa". Pior ainda quando completam: "não tinha inimigos... As pessoas boas sempre morrem primeiro". NHÁ pra quem fala isso.

Lembro-me de outra frase, de um caso verídico ocorrido com o Vinícius de Moraes. Parece-me que ele tinha dito que se falassem pra ele que alguém "morreu como um passarinho", ele não aguentaria e começaria a rir. Dito e feito. Indo ao velório da mãe de um amigo, no primeiro abraço o filho da falecida dispara:

- "Mamãe morreu como um passarinho."

O Vinícius danou a rir, mas riu tanto, aquele riso que não sai som, e que o corpo treme, isso tudo enquanto abraçava o sujeito.

Dias depois ouvia-se o filho da falecida dizer:

- "O Vinícius é que é amigo! Ele chorou comigo enquanto me abraçava!"

A lição: nunca diga "morreu feito um passarinho". Faça-me o favor, mickey! E se alguém disser pra você, torça para que o riso se pareça com um choro bem intenso!

Quem souber mais coisas que não devemos dizer, coloque no comentário... Got it?

quinta-feira, março 17

Ausência

CARNE
Vinícius de Moraes

Que importa se a distância estende entre léguas e léguas

Que importa se existe entre nós muitas montanhas?

O mesmo céu nos cobre

E a mesma terra liga nossos pés.

No céu e na terra é a tua carne que palpita

Em tudo eu sinto e teu olhar se desdobrando

Na carícia violenta do teu beijo

Que importa a distância e que importa a montanha

Se és tu a extensão da carne

Sempre presente?

quinta-feira, março 3

Só acontece comigo?

Certo dia, vindo do colégio Academia de Comércio com umas 5 ou 6 pessoas, passamos em uma rua em que uma casa estava sendo reformada. Olhei intrigado pra casa, era igualzinha uma igreja. Mas era uma igreja que ia ficar muito feia! Andei mais alguns passos, esperando o assunto terminar pra dizer pro povo:

- Mas que igreja mais feia....

Mas não consegui dizer, pois de repente a gente parou, e começou a despedir de um garoto que estava conosco. Ele, olhando para os dois lados da rua, atravessou. Tirou uma chave do bolso e entrou exatamente naquela casa que eu ia comentar. Quem fala demais...

-x-

Sou mestre também em dizer:

- E aí, como tá a Fabiana?

A pessoa faz uma cara estranha e diz:

- A gente terminou.

O que eu falaria depois disso? Não sei porque soltei:

- Mas ela tá bem, né, ou morreu?

Enfim... Por mais que seja ruim pra quem responde, eu não tenho como saber de todas as coisas da vida pessoal de todo mundo. Costumo dizer que sou o último a perceber quando uma mulher tá grávida. Pode ser tanta coisa, né... E também sou um dos últimos a perceber que nasceu (a barriga costuma nem sair do lugar... o que fica no lugar do bebê quando ele sai?)

-x-

Quando estava no cursinho (era cursinho e terceiro ano, 2003), tinha aula de literatura com uma professora. Não sei porque, mas não sentia confiança nela. Meus amigos do primeiro e segundo e terceiro ano sabiam (era os mesmos) que eu quase sempre gostava do(a) professor(a). Eles diziam até:

- Vinícius, como você pode gostar dessa aula?

Mas eu gostava, não sei a razão. Mas essa professora de literatura era diferente (tomara que ela não leia, não vou nem colocar nomes, pra quem procurar algo no google não achar isso sem querer). Eu e uma amiga ficávamos corrigindo a apostila, as vírgulas e tudo mais, morrendo de rir. Tinham textos hilários na apostila dela, e o principal era o da Cachoeira de Paulo Afonso, um poema – se não me engano – do Castro Alves.
Certo dia não agüentei, ela comentou algo sobre sinestesia (acho) bem nada a ver, e eu levantei a mão e disse que tinha aprendido diferente. Ela deu uma resposta esfarrapada, e eu perguntei depois para a professora de português, que concordou comigo. Mas, não sei por que, essa professora de português que eu gosto muito, falou com a de literatura sobre isso!

Na aula seguinte não deu outra, a professora de literatura, no meio da sala, no meio da aula, no meio de uma explicação, virou e disse:

- Cadê o Vinícius?

Todo mundo olhou pra mim, lembro direitinho. Tava no canto da sala, o braço esquerdo colado na parede, a cabeça também.

Conversamos um 5 minutos, ela estava tão educada, acho que ela queria dizer:

Apesar de eu normalmente ser meio estranha, sou educada, vejam como trato esse menino irritante que não concordou comigo?

Ela não deu o braço a torcer.
Nem eu.
Mas até que a reação dela foi bem interessante. Ela ganhou uns pontos nesse dia.


-x-

Um diálogo que a Nathy (tá no link dos Blogs Amigos) me colou no pvt do MSN:

Dois amigos:

- Estou apaixonado.
- Sério?
- É.
- Contra quem?

( Retirado de: http://www.fotolog.net/boysdontcry/?pid=9851029 )

sábado, fevereiro 26

Uma Formiguinha

[Ocorrido em: 22, terça | fevereiro de 2005]
[Juiz de Fora | MG]

Olhei pro céu espremido entre os prédios que corriam de ambos os lados da rua, todos de quatro andares. Em cada um várias vidas, histórias. Fazia tanto tempo que eu não ficava simplesmente olhando o nada, que o “acaso” se reservou no direito de me obrigar a fazê-lo. Não me preocupei com o relógio.

Eu estava sentado na beirada do passeio. O sol se escondendo cedo me lembrava que o horário de verão havia acabado. Meu compromisso era dali a mais de hora, e a solução era esperar, olhando o movimento.

Crianças, saindo da Escola Normal, brincando e gritando. Uma senhora, passeando com seu cachorrinho preto. Alguns garotos de bicicleta, que em poucos minutos de conversa já “brincavam de brigar”. Carros, carros, motos, carros, vento, gente. Cheiro de pão saindo do forno na padaria da esquina.

No meio de tanto pensamento fiquei foi com preguiça de tirar o celular do bolso da calça jeans e olhar as horas. Ainda faltava um bocado de tempo, pensei. O movimento diminuía. Depois de certa hora após as seis, o ibope maior era destinado aos chuveiros ligados - o vapor grudando na janela dos banheiros de toda a cidade - e às TVs que insistiam em fazer parte da rotina. As paredes dos apartamentos mudavam de cor, simultaneamente, fruto das cenas que o tubo de imagem das televisões projetava. Quase não passava mais gente, é que eu estava numa rua secundária, de uma mão só.

Depois de um tempo comecei a voltar ao mundo: me preocupei com o horário. Ao primeiro que passasse eu perguntaria as horas. Logo que via alguém verificava o pulso do sujeito para saber se andava com um relógio. Mas pro meu azar – ou minha sorte – ninguém usava.

Porém, ainda tive tempo de aprender uma lição. Quando me preparava pra pegar o celular do bolso vi um casal preocupado, de uns 35/40 anos, andando de um lado para o outro. Olhavam para o nome da rua, depois tentavam – creio eu – localizar em que parte da rua eles estavam. Um menino – que provavelmente vinha atrasado da escola – com sua mochila nas costas, chutando as pedras e folhas do chão, chegava perto deles. O casal ficou parado, olhando para o garoto que se aproximava absorto em pensamentos só seus. Eu, a uns 10 metros, observava a cena, a rua em silêncio. Assim que os olhos do menino encontraram os olhos de um dos membros do intrigante casal, fez-se a oportunidade:

- Será que você poderia me dizer onde é o hospital?

Eles não estavam longe. O hospital Ana Nery podia ser visto por mim, e distanciava no máximo umas 10 casas do local em que eles conversavam.

O menino olhou pra eles e abriu um sorriso de quem sabe responder uma pergunta muito importante. Do alto dos seus 7 ou 8 anos, chamou-os e levou-os até a porta do hospital. Deixou o casal na entrada e atravessou a rua para o lado onde eu estava. Ele veio andando, meio que pulando como só as crianças fazem, depois diminuiu o passo, quase perto de mim. A rua estava deserta e ele não havia me visto. Quase parando de andar, o garoto olhou para cima e disse a meia voz, logo antes de sair correndo feliz para casa:

- Obrigado por me deixar fazer uma boa ação.

Nem que quisesse conseguiria levantar. Mil coisas passaram no meu pensamento... Quantas oportunidades não nos são oferecidas, diariamente, e a gente fica achando que só é importante aquele que move as montanhas sozinho. O trabalho silencioso e cotidiano, daqueles que vêem a oportunidade de fazer o bem em cada ação, é o que verdadeiramente contribui. O famoso exército de formiguinhas...

Cheguei 5 minutos antes da hora marcada, era perto de onde eu ficara sentado. O local destinado à reunião, na Rua Espírito Santo, pertinho da Independência, estava vazio. Acho que eu devia ter ficado mais 5 minutos onde eu estava, refletindo, mas o tempo é implacável.

Nunca canso de aprender com as crianças... E o mais bonito, elas ensinam sem pretensão.

segunda-feira, fevereiro 21

Pela Libertação de Mojtaba e Arash

Terça, 22 de Fevereiro de 2005

Dia pela Libertação de Mojtaba e Arash


Ler sobre em: Campanha pede libertação de blogueiros iranianos - Portal TERRA

segunda-feira, fevereiro 14

Também mereço!

Vinícius
*******


- Status: Indisponível
- Informação Adicional: Viajando por uma semaninha...
- Considerações: Gosto de vocês!
- P.S.: Té mais
- Contato: por e-mail...

*******

Lendo: "O Apanhador no Campo de Centeio", J.D. Salinger

domingo, janeiro 30

Reconhecendo-os...

Vinícius de Moraes disse, e vale a pena ler, quantas forem as vezes. Não tive coragem de cortar o texto, vale cada linha. Dedico a todos aqueles que são amigos, mesmo sem o saberem.

Tenho amigos que não sabem o quanto são meus amigos. Não percebem o amor que lhes devoto e a absoluta necessidade que tenho deles.

A amizade é um sentimento mais nobre do que o amor, eis que permite que o objeto dela se divida em outros afetos, enquanto o amor tem intrínseco o ciúme, que não admite a rivalidade.

E eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos! Até mesmo aqueles que não percebem o quanto são meus amigos e o quanto minha vida depende de suas existências…

A alguns deles não procuro, basta-me saber que eles existem. Esta mera condição me encoraja a seguir em frente pela vida.

Mas, porque não os procuro com assiduidade, não posso lhes dizer o quanto gosto deles. Eles não iriam acreditar. Muitos deles estão lendo esta crônica e não sabem que estão incluídos na sagrada relação de meus amigos.

Mas é delicioso que eu saiba e sinta que os adoro, embora não declare e não os procure. E às vezes, quando os procuro, noto que eles não tem noção de como me são necessários, de como são indispensáveis ao meu equilíbrio vital, porque eles fazem parte do mundo que eu, tremulamente, construí e se tornaram alicerces do meu encanto pela vida.

Se um deles morrer, eu ficarei torto para um lado. Se todos eles morrerem, eu desabo!
Por isso é que, sem que eles saibam, eu rezo pela vida deles. E me envergonho, porque essa minha prece é, em síntese, dirigida ao meu bem estar. Ela é, talvez, fruto do meu egoísmo.

Por vezes, mergulho em pensamentos sobre alguns deles. Quando viajo e fico diante de lugares maravilhosos, cai-me alguma lágrima por não estarem junto de mim, compartilhando daquele prazer…

Se alguma coisa me consome e me envelhece é que a roda furiosa da vida não me permite ter sempre ao meu lado, morando comigo, andando comigo, falando comigo, vivendo comigo, todos os meus amigos, e, principalmente os que só desconfiam ou talvez nunca vão saber que são meus amigos!

A gente não faz amigos, reconhece-os.

(Vinícius de Moraes)


E no coração a certeza de que fiz novos amigos em Janeiro, e amigos que já me fizeram muito feliz. Amigos cuja amizade já valeu a pena, mesmo em poucos dias de convivência; amigos cuja sinceridade só me faz confirmar a importância que a eles devoto; amigos cujos passos desejo que sejam repletos de felicidade. E a esses dois novos amigos, e a esses dois novos e verdadeiros amigos, Rafael e Nathália (donos de belíssimos blogs), só me resta agradecer!

Como é bom ter amigos!

Não tenho muito o que dizer, o poeta já disse por mim. Amo esse texto do Vinícius de Moraes.

Que saibamos reconhecer os amigos, eles só estão esperando...

quinta-feira, janeiro 20

Novo Template

Esse novo template muito me agrada.

Já estava enjoado do outro, e, como disse ao Rafael, se não arranjasse outro template, corria o risco de eu fazer uma greve de posts. Enfim, arranjei! :)

Só me falta um lugar pra colocar os links, mas a linguagem do BlogSpot é meio complicada em mudanças como essa, não é um simples HTML. Se alguém souber me ajudar (Nathy?).

Tem um rescurso nele de citação, olha que bonito:

"Há um modo de fugir que se assemelha a procurar." Victor Hugo, em 'Os Miseráveis'


"É das feições dos anos que se compõe a fisionomia dos séculos." Victor Hugo, em 'Os Miseráveis'


"De quem tem o coração morto, nunca os olhos choram." Victor Hugo, em 'Os Miseráveis'


"Trabalhou para viver; depois, ainda para viver, porque o coração também necessita de alimento, amou." Victor Hugo, em 'Os Miseráveis'


"Existe uma coisa mais poderosa que todos os exércitos: uma idéia cujo tempo é chegado." Victor Hugo



Falem se gostaram do template aí! :) Espero que sim!

E estou ansioso para colocar os links de tantos blogs legais por aqui.

sábado, janeiro 15

Quarteto da Saudade

Porque o passado em saudade
Se faz mais presente que tudo?
Porque é que nós, sem maldade,
Amamos o que já está mudo?

17.06.03

quarta-feira, janeiro 12

"Artigo Enésimo - declaro proibidos os sentimentos"

[ressuscitando e reescrevendo post de 18 de fevereiro de 2004]

A sociedade tem aversão ao sentir. Quando é inevitável, impensável se torna sua reverberação. Censuramos nosso coração, como se tivéssemos medo. Medo do que? Medo de sofrer? Medo de nos tornarmos vulneráveis? Medo de viver?

O amor é considerado impraticável e inviável em nossa sociedade pseudo-racional. Colocamos metodologia na forma com que devemos nos relacionar, colocamos barreiras na maneira de externar nossos sentimentos. O bom político, o bom administrador, enfim, o bom profissional, é aquele frio, duplo: jogador de pôquer. Um na vida, outro no trabalho. Temos medo de fugir ao padrão – embora nosso coração o peça, - e continuamos evitando o sentir. Evitando, em verdade, a felicidade.

Temos modificado bruscamente o significado da palavra amor. Dizer "eu te amo" tem sido algo reservado a deuses, completamente fora do nosso cotidiano. Como se, para amar, precisássemos de algo além de um coração aberto.

Ah! Como seria belo se disséssemos “eu te amo” a todos aqueles pelos quais sentíssemos isso. Pois longe de aprisionar ou nos deixar vulneráveis, o fato de amar e ser amado deveria nos encorajar, nos felicitar, nos completar!

Mas dizer "eu te amo" depende de duas coisas. Primeiro constatarmos esse amor, depois dizermos.

Conceituar o amor é impossível, pois o amor não foi feito para habitar dicionários, nem para ser resumido em letras, foi feito para ser sentido. O amor seria o Amor se em nossa inteligência coubesse? O mar seria o mar se encerrado em duas mãos reunidas? O infinito, o que seria, se fosse circunscrito?

Se não sabemos dizer o que é o amor, ao menos é possível dizer quando ele existe: quando temos a certeza de que certa pessoa é importante para nós, é insubstituível, e inesquecível. Esta última palavra é uma das mais importantes. Se uma pessoa que nos faz feliz é inesquecível, isso é amor. Se adoramos ou queremos bem a alguém, em algum tempo iremos esquecê-lo. Entretanto, aqueles que amamos se tornam eternos. Por isso amar é tão belo e imprescindível. É a eternização de quem nos faz feliz.

[ Post reescrito por saudade do texto original, e por certeza pessoal de que tudo evolui. Se após um ano não conseguisse melhorá-lo, que decepção teria! ]

[ E também foi reescrito por inspiração de um texto que li no belíssimo blog da Nathy, vale a pena! É o de 10 de Janeiro!
(http://pensamentosdanathalia.blogspot.com/) ]

[ Concordo que é um texto que esquece das dificuldades impostas pela sociedade. Poderia fazer outro texto depois, falando da outra face, das complicações de dizer "eu te amo" a todos: amigos(as), primos(as), conhecidos(as)... Mas é bom sonhar. ]

terça-feira, janeiro 11

Post provisório decorrente de revoltas climáticas

O calor é verdadeiramente insuportável. Prefiro mil vezes o frio. Já percebeu como as pessoas no frio usam as roupas mais chiques do armário, fica todo mundo cheirozinho, ninguém fica grudando, ou com o pé suado! Fala sério! Tudo bem que numa praia o sol é fundamental, e praia com frio não dá, mas moro no interior do país, em um estado que não tem praia nem artificial, aí como é que eu fico! Post pequeno, mas é pra expressar minha revolta a esse calor que ta querendo chegar de vez, e quem mora em Juiz de Fora sabe: nenhuma chuva aplaca. (e que chuvarada também! Nunca vi! Bem que podia dar uma acalmada, esperar ônibus em Juiz de Fora com chuva é péssimo!)

P.S.: Não estou mal humorado, apenas revoltado com esse clima inumano que os humanos provocam na Terra.